De chuva e (c)oração

terça-feira, 13 de março de 2012


Eu sempre gostei de tempo chuvoso.
Adoro os tons de cinza e o barulho da água caindo lá fora. Moro numa região de São Paulo que sempre chove muito. É até famosa por seus alagamentos. Mas, graças a Deus, o máximo que sofri materialmente com os temporais foi com goteiras. No limite, um pouco de água entrando por debaixo da porta ou ralos sem vasão suficiente.

Hoje, o cheiro de chuva que está entrando pela minha porta, seguido dos fortes trovões, veio me lembrar de outros tempos... quando sofri por outros aspectos não físicos dos temporais. Quando passava longos períodos sozinha, sem a companhia de ninguém, em casa ou em trabalhos solitários. Ou quando a chuva parecia chorar as mágoas que meus olhos não aguentavam mais derramar.

Os anos passaram, com a benção do céus as coisas mudaram, ainda que as chuvas não! Acho que – de tempos em tempos – elas aparecem para matar a saudade. O curioso é que a chuva de hoje veio também em um novo período de reclusão, onde passo 80% do meu tempo e dos meus dias sozinha em casa. As águas que caem lá fora e que aprecio pela janela da minha então casa real, no silêncio das minhas cachorras, tingem o céu com o mesmo tom de cinza, com o mesmo barulhinho bom. E, envolvida por esse momento, chego à conclusão mais gostosa do mundo: não sou mais só!

Caminho pelos cômodos da casa que dá para ver a chuva lá fora e em dois deles encontro algumas velas acesas. A mais alta, de proteção de defesa da casa e da minha família. A mais baixa, do meu marido, em sua novena por justiça e ordem. A terceira, vela da minha novena a Nossa Senhora do Parto. Olho minhas imagens. Olho meus móveis. Olho até a louça suja que me espera lá em cima da pia. E de todo coração eu sinto uma força maior que, tanto naquele tempo de desacorçoo quanto nesse tempo de repouso, eu aprendi a ativar desde muito pequenininha e que sempre, sempre me acompanhou: a oração.

Hoje me peguei rezando com a mente, contemplando a chuva, exatamente como eu sempre fiz diante de todo temporal que assisti sozinha em casa. As orações mudam, é claro, como a gente muda. Mas muda também sempre foi a voz mais profunda das minhas orações. Quase como se só o silêncio e o estado de contemplação pudessem ressoar juntos a voz do meu coração.

Não... não sou mais só. E a água que cai lá fora não é só aquela que fertilizou minhas dores e minhas reclusões. Chovi e ainda chovo muita vibração íntima que seiva os sentimentos guardados aqui no peito. E das janelas dos meus olhos, na luz das minhas velas, dentro do mesmo silêncio de oração é que hoje eu me desperto a emoção de um novo coração. Forte, pequeno, pulsante que seiva agora todos os sentidos guardados aqui no meu ventre.

Enquanto chove lá fora, uma vida nova está sendo gestada aqui dentro, para mim e para o meu bebê afinal. E com as bênçãos das águas que tudo molha e tudo purifica, eu novamente desperto (c)oração a esse tempo chuvoso... gostoso. Só que, dessa vez, em profunda gratidão e encantamento por tudo que com ele aprendi, vi e cresci.. E refiz de mim.

De repente 30

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

derepente30
Quem nunca viu esse filme, 

“De Repente 30” (13 Going on 30)?


Só eu assisti uma penca de vezes, por indicação da minha melhor amiga. Lembro que quando o filme foi lançado em 2004, eu tinha uns 22 anos. Já estava na faculdade, em busca da tal vida que a gente sonha quando somos pré(?) adolescentes. Essa minha amiga do tempo de colégio, cúmplice e parceirona minha desde os ditos 13 anos, e eu já trabalhávamos... Ela noiva e eu cheia de namoradinhos, viajávamos e curtíamos as delícias da idade. Mas pensávamos sempre naquele estereótipo horroroso que, às vezes, somos submetidos. Nessa sociedade cheia de pré-julgamentos, que categoriza os jovens entre os populares e o resto. Claro que eu sempre fui da turma do resto. Que tinha amigo em todo tipo de tribo, mas que nunca sentia ter realmente espaço para ser eu mesma.

Hoje, cá estou... com 30 anos. Pensando em como nossa percepção sobre nós muda conforme a idade e a época de vida. Quando eu tinha 13 anos, achava que com 30 eu seria uma profissional bem sucedida. Seria casada, já teria filhos (plural!). Teria uma casa funcional, com a arquitetura dos sonhos e toda uma estrutura que funcionasse sozinha. E eu, teria tempo para me dedicar à arte e à família, mais do que qualquer outra coisa. Engraçado é que, quando “chegamos lá” descobrimos que ter 30 anos ainda não é nada frente a um tantão de coisa que ainda queremos realizar. Mnha alma ainda pensa e sente como uma garotinha de 13 anos que ainda quer carolinar uma porção de sonhos e conquistas.


Ok, ganhei bagagem para algumas coisas, experiência... mas meus olhos ainda se deslumbram com o que gosto e amo exatamente como a garotinha que ganha uma casinha de boneca linda feito pelo melhor amigo. E ainda corro emburrada para me trancar no armário, ou no recanto aconchegante da minha casa, quando algo não sai exatamente como eu esperava.

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A verdade é que... quando lembro desse filme, quando lembro da percepção que eu tinha de mim, aos 13 anos, quando chegasse aos 30 e hoje, enfim, me vejo e me percebo com essa idade... eu penso como a vida pode ser mágica e ao mesmo tempo transformadora. Mágica porque para melhor ou pior, graças aos Céus, tudo passa,tudo na vida muda. Ter 30 anos não é mais sinônimo de já estar velha, adulta, que já fez tudo que tinha que fazer na vida e fim da história. Ao mesmo tempo, não tem mais aquele monte de pressão e imposição da adolescência que parece escravizar nossos sentidos e nossos sonhos. A ponto de nos condicionar a seguir um caminho que depois, só mais tarde, vamos ver que não era exatamente o que queríamos.

Não conquistei e nem atingir tudo que achava que alcançaria. Porém, fiz algo de mim, algo que é só meu e que me orgulho disso. Ergui minha casa, meu casamento e agora, aos poucos, vou erguendo minha nova família. Formei uma base sólida de espiritualidade e religião. Não viajei tanto quanto eu gostaria, não me envolvi tanto com artes como minha alma me pedia, mas hoje sou profunda admiradora de ambas jornadas. Sou cercada de gente que eu amo profundamente e que hoje se lembraram de mim porque me querem bem.

Tá, estou longe de uma carreira e de uma atividade profissional que eu considere estável ou madura, mas há pelos menos 4 anos que a vida tem sido generosa comigo... Ao me dar oportunidades para me lapidar e conseguir um dia ainda alcançar um patamar nesse sentido. Ainda não me sinto suficientemente independente financeiramente, contudo, tenho uma profunda satisfação de dizer que hoje sou responsável pelas minhas despesas e meus gastos. E que as futuras conquistas materiais (casa própria, carro e outros bens) eu ainda terei mais 30 anos, hehehehe, para buscá-las ao lado de uma pessoa batalhadora e tão empenhada quanto eu.

Chego aos 30 com a sensação de que a vida é sim aquilo que fazemos dela. 
E, a partir daí, ainda haverá muito por fazer.



Maturidade é algo sim que dá medo e assusta (ao menos para mim). Contudo, é sinônimo de evolução da vida. Portanto, que esse não seja “de repente 30” anos... Mas que seja, o início dos próximos 30, com toda essa renovação tão gostosa de experimentar.

Que histórias seu corpo conta I

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Tema do projeto Mosaico de Reflexões, para a 5ª blogagem coletiva do site.


Hoje eu completo 30 anos…
E pensando agora, são muitas as histórias que o meu corpo conta. Se eu pudesse aqui pincelar algumas páginas dessa verdadeira saga (com direito a diversos volumes), acho que começaria pelos dois traços que me remetem aos meus pais: as sobrancelhas e os cabelos. É bem verdade que eu puxei mais a minha mãe do que meu pai, mas a característica que me entrega completamente como “filha do meu pai” sempre foi as sobrancelhas grossas. Mesmo que para isso eu tivesse que ir contracorrente da moda que impõe sobrancelhas finas para as mulheres. E, por ter nascido prematura, e ter sido também  ‘alvo’ de uma promessa da minha mãe a Nossa Senhora Aparecida para que eu sobrevivesse, durante bons anos da minha vida, eu usei meus cabelos cumpridos. Longos cabelos pretos, como os da minha mãe Bete e da minha mãe Iemanjá.

carol blog

Agora, a partir desse ‘prefácio’, vale dizer que o fato de eu ter nascido de 5 meses e 3 semanas determinou grande (senão quase todas) histórias que eu hoje escuto o meu corpo contar… Eu nasci com 1kg e emagreci para 800 gramas. Era menor que uma caneta BIC. Tão prematura desse jeito, vim com uma série de probleminhas de saúde (bronquite, pequena arcada dentária, comprometimento nasal e por ai vai…). Até certa idade da minha infância, lembro-me de ter que ir regularmente a médicos e pediatras que avaliavam meu crescimento e meu desenvolvimento, de modo proporcional as medidas do meu corpo.
Acho que por isso, meu corpo e eu sempre tivemos que lidar com o diminutivo… baixinha, pernas finas, mão curtas, seios pequenos. Tudo em mim era inho... Na puberdade isso se tornava um desafio, por me sentir e me perceber sempre aquém do que eu via as demais pessoas serem. A verdade é que, nessa fase terrível da vida, todo mundo se digladiam com seu corpo. Não tem jeito... Eu usei aparelho dentário, engessei a perna e o braço uma porção de vezes. Usei bolo de meias para aumentar o volume dos seios. Prendi muito meu cabelo rabo de cavalo para não parecer para as pessoas que eu não tinha conseguido desembaraçá-lo.

carol corpo

Ai o tempo passa, a gente cresce e, aos poucos, vamos aprendendo a conhecer e respeitar nosso físico, não mais como um inimigo; mas, sobretudo, como envoltório do nosso íntimo. O marco dessa época para mim entrou para a minha história de vida quando resolvi cortar o cabelão. Não porque eu deixei morrer em mim todo o simbolismo que eu tanto amava nos longos cabelos negros. Mas porque naquela altura do campeonato, eu já tinha interiorizado esses símbolos de tal forma na minha vida, que não precisava mais do peso do cabelo para sustentar aquilo em mim.

Cortei o cabelo. Comprei sutiã com bojo. Tirei o aparelho dos dentes. Arqueei minhas sobrancelhas (mesmo ainda deixando-as grossas) e passei a usar mais salto alto. Na verdade, menos até do que poderia (gosto de ser baixinha... como diria meu marido, na noite em que nós nos conhecemos: as baixinhas também dão um caldo, hehehehe). Mas, o que quero dizer é, que depois de certo tempo, passei a amar o meu corpo com tudo aquilo que ele podia me dar. E passamos a nos relacionar cada vez com mais sinergia... ele conhecendo aquilo que eu achava bonito e ele me mostrando o que caia melhor em mim.
E, enfim, entendi o quanto de mim estava nele e quanto ele era muito do tudo o que sou hoje.

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O final dessa história? Ainda não chegou... Mas nos últimos meses começamos a escrever o ponto auge das nossas trajetórias. Uma história que merece um capítulo a parte. Que eu ainda quero “gestar” mais um pouquinho para voltar aqui e contar até o fim da blogagem.



Muito do que somos

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Reservei este espaço - entre muitos dos cantinhos virtuais espalhados pela blogosferas e redes sociais – para ser um ambiente único, especial. Mas você, que por um acaso caiu na minha página e lê essas linhas, por favor, não espere tanto! Porque eu imagino que para você ele não terá o mesmo gostinho bom que eu sinto quando estou a saboreá-lo, ao escrever.

Aqui eu quero deixar um pouco de mim. Um pouco de tudo que faz parte de mim. E só de separar 15 minutos do meu dia para isso, já me sinto uma pessoa realizada. O ato de escrever sempre acompanhou minha vida. Na web então, posso dizer que não só permeou, como também representou (e, de certa forma ainda representa!) grande parte das principais e mais significativas mudanças da minha vida.

Agora, que esse espaço já existe. Que já tem cor, cara, textura e perfume de tudo o que eu reflito de mim diante do espelho da nossa autopercepção… enfim, agora já posso cuidar com carinho dele. Atualizá-lo e tocá-lo com todo o potencial de carinho e entrega que eu desejo que ela tenha.
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E, para tanto, no auge do meu “Retorno de Saturno”, com ascendente em virgem (estranho bicho metódico em organização e delicadeza), quero aqui criar 3 grandes núvens, ou tópicos, categorias (chamem do que quiser)… por mim, prefiro chamar as 3 grandes faces que ocupei, ocupo e ainda irei ocupar ao longo da minha vida, para hospedar todos os assuntos ligados às 3 fases tão singulares na vida de uma mulher: a donzela, a mãe e a anciã.

A donzela receberá meus momentos de nostalgia… da infância a adolescência. E todas as coisas gostosas ligadas a esse período. A anciã (que, vamos combinar, ainda não chegou, rsrsrs) comportará toda a projeção e reflexão do futuro, daquilo que eu imagino que será feito da minha vida, em toda minha trajetória, quando meus filhos me derem netos…

Por fim, e não menos importante, o período atual!! Onde me preparo para ser mãe. Face essa que melhor me cabe ao rosto, desde criança, aliás. A verdade é que, uma pessoa como eu, que guarda muito de tudo o que somos, a vida toda eu fui o trânsito desse triplo ciclo, que forja essa essência múltipla, profunda, complexa que sempre fez, faz e fará parte de mim…

Em 2012

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Em 2012

Dizem que eu sou uma pessoa que sofro por antecedência, antes da hora... Provavelmente elas têm lá sua razão. Eu tenho mesmo um problema com ansiedade. Mas isso é muito meu mesmo, nasceu comigo, junto com minha prematuridade, desde que eu vim ao mundo com cinco meses e três semanas...

De qualquer forma, essa é a última semana de 2011 e, com ela, deve ser normal vir esse sentimento reflexivo de "como será as coisas no próximo ano".

Não que eu esteja ansiosa, mas nesse próximo ano, não tem jeito: acho que vou encarar o maior desafio da minha vida... Daqueles que a gente nunca acha que está pronta para encarar.

Nesse pequeno recesso antes da virada do ano, ando pensando muito nisso. No que nunca mais será como conhecia e em tudo que já é tão novo, tão diferente.

Pergunto a mim mesma se serei capaz de me reinventar tanto e tão profundamente para dar conta dessa nova fase da minha vida. São outras prioridades, outros planos. Tantos que chego até ter medo se de fato eu banco isso tudo.

O Dan costuma me dizer que somos criaturas que temos medo daquilo que não conhecemos. E é verdade: nem indireta e nem diretamente eu passei por nada parecido. Nem comigo, menos ainda com gente próxima a mim. E só de pensar o que 2012 reserva pra mim, eu fico com medo... Apavorada!! Sem ter ideia do que esperar...

Por isso, desisti de projetar ou planejar qq coisa para um ano que eu se quer sou capaz de imaginar. Dele, em 2012, só o que peço é coragem. Para aplacar essa covardia do desconhecido e desintegrar a insegurança do novo.

Força, meu Pai, resistência e sobretudo coragem para viver uma semana de cada vez, um mês por vez. De modo que esse meu desafio seja apenas uma preciosa escada a me erguer para o 2º andar da vida adulta. E eu, devagarinho, degrau por degrau, possa enfim chegar lá...

Seja o que Deus quiser!!!

Carol, Carolina e muitas Caróis

sábado, 16 de abril de 2011

Quem lembra daquele filme, estrelado pelo Jim Carrey, chamado Eu, Eu Mesmo e Irene (do original: Me, Myself And Irene, 2000 - EUA)? O longa conta a história do policial, trabalhador e honesto, pai de três filhos e amado por todos que sofre de Síndrome de Dupla Personalidade. Quando não toma a medicação habitual, sua segunda personalidade, vem tona e esta nada tem em comum com a anterior. Ele vira mimado, agressivo e estúpido com todos. Até que ambas conhecem e se apaixonam por Irene Waters (personagem da Renée Zellweger) e, a partir dai, nosso protagonista trava uma verdadeira batalha consigo mesmo para terem o domínio de sua própria identidade.


Bom, longe de mim querer fazer desse blog um espaço para exposição das minhas duplas personalidades ou fazer da publicação um ambiente de catarse e esquizofrenia, porque não é essa a idéia. A narradora que vos fala é Carol, Carolina sim. Mas é também a Maria Carolina, a Tia Talol (para minha sobrinha), a Carvalho (entre as muitas "caróis" da agência onde trabalho) e a Carol Yara do ambiente virtual. Eu sou todas elas, e muito mais.


Aqui, quero refletir um espelho multi facetado de todos os reflexões que faço (e que a vida faz) de mim. Desse blog, quem me seguir, vai ter uma palinha de tudo que permeia meu universo. A priori, sem enfoque a vida espiritual e profissional (visto que esses já têm seus espaços respecivos). Aqui vou preservar um canto onde posso escorrer um pouco dos gostos e reflexões que sustentam meus dias. Com assuntos do cotidiano e da escrita, já que - num segundo momento - meu intuito aqui também é treinar e exercitar melhor meu ofício.


Espero que dessas águas que movimento para banhar você que, por ventura, passar por aqui e resolver parar para um mergulho, possamos então agitar essa imensa rede, sob a correnteza da troca e do relacionamento saudável do conhecer e do se comunicar. É do encontro das águas que forjamos novos rumos e do meu lado de cá, aqui, todos terão abertura e espaço para comentários e interatividade.






Afinal? Quem está na chuva é para se molhar, não?? hehehehehe



 

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