Com o que você se importa? Qual o sentido disso?????
Acho que foram quase 5 meses...
De dezembro de 2025 pra cá...
Mesmo com todos os percalços, meu humor, minha disposição, minha convicção, minha proposição e energias pareciam convergirem... Eu estava bem! Eu vinha muito bem, apesar de todos os pesares (e bota pesar!!!)
Sei que pessoas ao meu redor ficaram tensas, esperando pela minha recaída. Mas eu me mantive genuinamente consistente. Dentro do possível. E isso foi bom, na verdade, foi muito bom!! A melhor parte, eu diria.
Aconteceu que até as duas últimas semanas, eu comecei a capengar... Tropeço aqui, mal contato ali. No início, comecei a pensar em Bournout Autístico, como escrevi aqui. Claro que se encaixou como uma luva. Mais aí veio, em sequência:
------------> o óbito da minha madrinha (sentir uma orfandade integral, pela primeira vez, ao mesmo tempo que reencontro com pessoas da minha infância, do convívio da minha mãe e com o meu irmão)
------------> questões terrivelmente desgastantes com estágio na universidade (e todos os traumas que isso me traz de gatilho!!!!)
------------> a sobrecarga de cobranças pela venda de Pirituba, porque entraram no imóvel e roubaram fiação (e, evidentemente, mais dose de tensão extra que isso é com o meu pai!!!)
------------> o dia das mães, sem minha mãe, sem minha madrinha, sem o que poderia ter sido um pouco da minha saúde para garantir um dia das mães um pouco mais digno ao meu filho (e toda a culpa e frustração que acompanha esse efeito dominó!!!)
------------> a queda brusca de 12ºC de temperatura em SP que me atingiu em cheio com uma broncosinusite. E como a falta de ar, a dor para respirar, nas costas, no pulmão... não prejudica "apenas" a respiração. Mas tira energia, a mente não funciona direito. A musculatura parece ter mais câimbra.
Isso, para não mencionar o meu ser "deliberadamente ignorado", que é um tipo de companheiro meu, que eu tenho, que é quase um irmão-gêmeo, de tanta companhia que ele insiste em me fazer 🙄🙄🙄; não importa o que faça...
Claro, assim como eu, todos podem se distrair, ter déficit de atenção. Isso é natural.
Mas é engraçado como, quando sou eu, como quando é comigo... quando se trata da minha voz, SEMPRE eu tenho que repetir, fazer eco, falar a mesma coisa 20x, escrever, reescrever, gravar áudio, desenhar... para simplesmente acabar sendo ignorado com sucesso!! 😥
Seja nas compras
Seja com o farmacêutico
Seja em reuniões escolares
Seja com psiquiatras que não retornam
Eu não sei o que acontece...
Se é só azar...
Se é porque sou mulher...
Se é porque sou autista...
Se é porque já estou ficando velha...
Se é por tudo isso...
Mas, não há o que eu diga, não há o que eu argumente, não há o que recomende que possa ser AO MENOS levado em consideração, de primeira... Com algum tipo de foco, zelo, atenção ou consideração. Não há!!!!
Eu digo... eu aviso... eu pondero com antecedência... e o que adianta?
Tudo o que eu digo, sempre pode ser
1. ou postergado, deixado para mais tarde
2. ou reconsiderado de outro ponto de vista, que faz o seu não ter serventia nenhuma
3. ou simplesmente desconsiderado
... aparentemente, sem nenhuma importância!!!!
Então, do Bournout Autístico, eu cheguei aqui... há 4 dias, quase totalmente recuperada dessa crise respiratória, mas ainda me questionando muito sobre: e agora??? O que realmente importa???
✅ Contestação judicial entregue, do processo da casa, agora é esperar 🤷🏻♀️
✅ Processo BPC do Davi, depende do reagendamento das perícias do INSS 😒
✅ Processo contra a Secretaria de Educação de SP, depende de eu mandar a advogada, os materiais digitalizados que ela me pediu desde o ano passado... mas que eu, honestamente, sangrou só de lembrar em ter que mexer nessa ferida (para gerar o PDF de todos as edições do DOE, com as publicações onde eles conduziram o meu caso) 😩
Além disso,
✅ a promessa que eu fiz ao Daniel: de não deixar a casa voltar ao caos de antigamente... como cumprir? Se agora, no período frio do ano, não consigo prever se quer como vou acordar no dia seguinte, com essa minha grave situação de crise respiratória alérgica?
✅ e os dias que o Dan me rendeu? Como reassumir o fronte de batalha, se mal consigo encarar os destroços de como ele conseguiu se virar para dar conta de tudo?
✅ terminar a faculdade, claro, afinal... já cheguei até aqui, não é? É praticamente algo que farei de modo automático... mas, por quê, mesmo? Pra quê? Porque eu queria esse diploma? Era algo que minha mãe também queria muito... E o que farei com ele??? De quem ele vai importar, de verdade?????? 😓😓
✅ se, mais uma vez, para concluir essa graduação, terei que entregar qualquer coisa no lugar de um artigo científico (e não um TCC que refletisse de fato uma pesquisa científica genuína?)
✅ se, professor de educação básica (não importa se é de 30hrs, se é de escola pública ou priva)... não falta! Não tem essa de menstruação hemorrágica, crise respiratória ou autística!!!!
Então, de VERDADE...
...na prática, objetivamente!!!!
Qual o sentido desse esforço todo???
Eu já não sei mais se estou reconhecendo um motivo - miseravelmente razoável - que me convença a seguir nesse projeto (de ser uma dona de casa que funciona em sua vida doméstica, ser uma professora de educação básica) se tudo aquilo que me constitui... que já traz marcas de quem (ou o quê) eu sou:
- o autismo
- a questão respiratória
- e, até que resolva o contrário, com questões hemorrágica em meu ciclo menstrual (possível andomentriose)
- com fibromialgia, borderline
- e possível disfunções de desautonomia não diagnosticada
de repente, parecem ser verdadeiras ANTÍTESES naturais do que eu fico tentando fazer do meu futuro e, CLARO, nunca vai dando certo. Porque eu fico teimando com o que, desde o início, talvez, já esteja fadado ao fracasso.
Agora, nesse ponto da reflexão, eu não consigo deixar de expressão A MAIOR DOR:
----> se é assim, tão evidentemente, tão óbvio... pq eu não fui suficientemente importante para ninguém me dizer isso?
Quero dizer: por que parece que só eu tenho que me importar com o que é importante para o outro, ter empatia, ajudar, cuidar... e, quando minhas entranhas estão aí, à amostras, para qualquer um ver... parece que elas não importam?
✳️O que importa, é se eu estou cuidado da venda da casa de Pirituba, não é?
✳️Se eu posso acompanhar meu pai em procedimento cirúrgico de um dia na próxima semana...
✳️Se vou dar conta de cuidar minimamente da casa e dá próxima reunião dos pais...
✳️Ou, talvez, dos podcast de divulgação voluntária - pq remunerar, imagina, quem vai? - do livro TEAr, mesmo que eu não esteja nem um pingo em condicoes para isso!!!!!
Sei lá.
Eu realmente não sei mais o que realmente importa!
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