A vida renasce - maternidade II
Quem lembra desse comercial: "Quando nasce um bebê, nasce também uma mãe.", da Johnson's?!
Concordo com essa ideia, mas não exatamente de modo literal. Como se num estalo, plim!, a condição de ser mãe viesse assim, simplesmente pronto, completo e preparado. Vendo o meu filho crescer, vejo em mim o ser mãe crescer também, junto com ele; às vezes até mais devagar do que ele.
Antes de eu ter o meu filho, eu era muito ativa e independente. Múltipla, desempenhava vários papéis: filha, esposa, umbandista, profissional na área de comunicação, amiga, mulher. Sempre tive uma personalidade forte, alegre, extrovertida. Com a vida, eu sempre fui programada, querendo ser e fazer tudo certinho, cheia de criatividade e iniciativas.
Aí meu filho nasceu. E no primeiro momento, meu mundo caiu. Nunca mais consegui planejar nada. Nos primeiros meses, eu não conseguia mais ser filha, esposa, umbandista, profissional na área de comunicação, amiga, mulher. A verdade é que eu mal conseguia comer, tomar banho ou dormir direito. De licença maternidade e depois com a perda do meu emprego, afastada do meu terrerinho, eu só conseguia ficar em função do meu RN, ouvindo da minha mãe e amigas que os primeiros meses eram assim mesmo. Que com o tempo melhorava.
O tempo passou e o nascimento dessa mãe aqui foi um pouco mais lento e tenso quanto os riscos da minha gestação. Vi o Davi dar seus primeiros passos com 1 ano e 3 meses enquanto eu mal conseguia engatinhar nos cuidados com ele.. Pouco a pouco eu ia tecendo uma relação com ele que durava apenas o piscar de olhos para suas próximas mudanças. Era eu acostumar com sua nova dinâmica para a mesma mudar... E lá ia eu reformular toda a organização que eu achava que deveria ter.
Hoje, percebo alguns enganos quanto a minha própria personalidade. Com filho não temos mais receitas e no fundo, viver nesta nova condição requer muita renúncia e improvisação. Sem planos, cronogramas ou ordenações.. Porque aquilo que um dia parece ser de um jeito, no dia seguinte já é outro. E lá se vão minhas organizações. E para "melhorar", ao invés de eu conseguir uma leveza para curtir o crescimento e as novas fases do meu filho, eu só ganhei mais stress e tensão no desenvolvimento desta minha nova condição, de mãe!
Hoje, vejo que preciso aprender a largar um pouco a mão, para viver cada uma dessas fases com mais naturalidade e compreensão. Hoje, eu percebo que me equilibrar nos meus primeiros passos com o Davi significa eu ter mais confiança nele para aos poucos voltar a me apoderar das minhas antigas condições de filha, esposa, umbandista, profissional na área de comunicação, amiga, mulher. Que ser mãe não anula tudo o que eu fui e ainda sou. Apenas acrescenta mais uma face das muitas que eu carrego. Talvez a mais desafiadora do que todas as outras, sim.. Mas sem anulação. Apenas com adição, ou até multiplicação.
Hoje eu entendo, mas como estou apenas nos primeiros passos, acho que a fase agora é eu aprender a me equilibrar nas minhas duas perninhas maternas, que cairão muitas vezes de bunda no chão, tanto quanto as quedas que eu vi nos primeiros passos do meu filho. E assim, de fato, "a vida renasce".


Comentários
A maternidade é mesmo linda!!!!