She's a Punk Rocker
Que eu curto Rock, isso quem conviveu ou ainda convive comigo sabe. Agora, o que só os íntimos já perceberam é que sou bastante eclética. Meu gosto musical sempre foi muito variado e acompanhou minhas mais variadas facetas de mim. Contudo, se há um movimento por quem eu vesti a camisa literalmente, na ideologia e nas predileções, esse é, sem dúvida nenhuma, o Punk Rock da década de 80. Eu era muito nova quando ouvia os LPs e Fitas-k7 do meu irmão mais velho. De Ramones a Ratos do Porão, passando por The Clash, Talking Heads e Plebe Rude. Mas na época, acho que só ganhei a batida e a pulsação da música punk a fluir por toda a nossa corrente sanguínea, dando aquela vontade monstra de pular e sacudir a cabeleira (e olha que na época eu tinha um cabelão bem comprido).
Nome de banda, atitude e ideal punk ainda nem passavam pela minha cabeça. O fato é que, anos mais tarde, no início da minha adolescência, ao ganhar meu próprio walkman (que, por sinal, tenho até hoje, funcionando!) e aprender todas as técnicas para uma boa gravação em fitas K-7 caseiras... ai sim o punk me tomou por completo. Todo mundo achava engraçado eu ir para cima e para baixo - ainda tão menina de tudo - vestida com minha jaqueta de veludo preta (a de couro era muito cara e a de veludo que ganhei da minha mãe era bem mais feminina, acinturada, um máximo!!) e as botas de trança tipo coturno, mas de salto e bico fino que herdei na limpeza de guarda-roupa da minha prima mais velha. Ahhhhhh, como eu adorava!!! (Pena que não tenho foto desse look, rs)
Na época não tínhamos muita grana pra nada, nem para o básico. O que dirá para compor uma adolescente vidrada num movimento musical. Mas, uma coisinha aqui, outra ali... e eu começava a me sentir uma punk rocker. Talvez não tão poser, mas do meu jeitinho. Um adesivo na janela do quarto, a coleção de botton (antigos brochês) que foram se perdendo pela vida e, claro, as fitas gravadas que tenho até hoje (e são o meu xodó). Só hoje eu pude entender o que me levou a essa paixão tão grande. O que não, quem! Ele tem nome: Renato Russo. Meu maior ídolo, o cara por quem eu paguei de tiéte mesmo - com direito a poster enquadrados no quarto e tudo - era, em sua essência, um punk. Não, ele não usava moicano. Também não socava ninguém na rua. Mas ele trazia o que eu sempre gostei no punk rock: o visual rasgado e chocante, que foge dos padrões da moda e da sociabilização; a linguagem sem puderes caretas; a filosofia "faça-você-mesmo" (Do It Yourself em inglês, ou, numa sigla, DIY); a ideia até do "anti-ídolo" que não tinha a obrigação a tocar corretamente se quer seu instrumento, ou ainda, de compor arranjos e letras extremamente sofisticados... E, claro, o principal para mim: CONTEÚDO!!!Ao contrário do que a mídia e o senso comum acredita que o punk é um alienado ou um mero rebelde sem causa, a verdadeira alma punk é inquieta e revolucionária. Ela não só quer mudar o mundo como ACREDITA que o pode fazer. Nossa... como isso mexia (e ainda mexe!) com minha natureza aquariana e marxista, rs. Suas canções eram sempre recheadas de ideais políticos que abordavam causas bem específicas como o desemprego, a guerra, as desigualdades e a violência. De modo geral, um soco na boca do estômago da repressão.
Sem eu saber, meu amor pela legião Urbana e pelo Renato Russo, na verdade, vinha do seu embrião mesmo: o Aborto Elétrico e todo aquele cenário do punk rock nacional da turma da colina de Brasília. Eu dava tudo para ter vivido minha adolescência lá, naquela época. Com uma turma legal que entrava de penetra em festa de bacana e, do nada, roubava a trilha sonora com as nossas fitinhas caseiras... Devia ser demais!!! Fora que o Brasil e o Mundo eram outros. E, seja lá o modo que fosse, mostrar indignação e repúdio ao Sistema eram tão imperioso e necessário quanto hoje.
Aí, esses dias, eu assisti um filme na TV a cabo que eu nunca tinha ouvido falar, o CBGB. Embora a minha vibe sempre foi o Punk Rock Brtânico (Ahhhh Sex Pistols, meu oxigênio na adolescência. Não passava um dia, se quer, sem voltar da escola no busão com Eles no fone de ouvido), quem curte punk rock já sonhou - um dia - ir a uma balada lá. Para quem não conhece, o CBGB é o nome da casa noturna em Nova York inaugurada em 1973. O estabelecimento se tornou célebre porque foi palco de shows de várias bandas e cantores que mais tarde se tornariam consagrados: Television, Ramones, Patti Smith, Blondie, Dead Boys, The Stooges e por ai vai. Putz, depois que você ouve esses caras, não tem como... acaba se rendendo até aos New Yankee. Recomendo! O filme é muito legal.
Depois assisti ao documentário "Rock Brasília" e aí a nostalgia bateu de vez!!! Mesmo na minha vidinha de Eduardo (da Mônica!) no esquema escola, cinema, clube e televisão, ainda sim a veia punk permanecia lá, firme e forte, pulsante e eletrizante. E eu extravasava trancada no meu quarto ou nas idas até a Galeria do Rock, aqui em São Paulo.
Claro, hoje eu "cresci". Virei mais um adulto careta com alma punk que entre uma conta pra pagar e uma notícia no telejornal do horário nobre, tenta encontrar uma brecha (pequena que for!) para ir ao bar de rock mais perto e financeiramente acessível (Kazebre Rock Bar) e curtir um bate-cabeça ao som de Garotos Podres e Cólera. Enquanto isso não acontece, respiro meu punk rock no youtube, na last.fm, rádio uol e em todas esses becos da web. Curtiu?! Então: Hey! Ho! Let's Go!!!







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