De volta! "O eu profundo e os outros eus"



Não é de hoje que eu sou apaixonada por Fernando Pessoa e seus muitos fernandos, escondidos por trás dos seus heterônimos. Foi pensando nele e no título desse seu livro (que também entitula esse post) que resolvi retomar esse blog, para permanecer falando da Carol Carolina Carvalho.... esse eu profundo e os outros eu que carrego dentro de mim.

Hoje não sou mais tão somente a mãe do Davi. Sou sim sua mãe, mas também, esposa, filha. 
Hoje não sou mais tão somente umbandista. Sou sim filha de Santo, mas também strega e helênica.
Hoje, não sou mais tão somente jornalista, que atua com relações públicas e mídias digitais. Sou sim, comunicadora, mas também instrutora de yoga, manicure e graduanda em Letras - Português.

Ser o que somos é, sem dúvida nenhuma, uma gigantesca e infinita aventura, cheia de curvas e muitos meandros. De 2018 para cá (ano da minha última postagem nesse blog) pessoas entraram e saíram da minha vida, assim como experiências e sentimentos diversos. E, entre idas e vindas, a pessoa que venho decidindo ser agora é alguém de quem eu gosto muito; pois, ainda sou aquela que tem "apenas duas mãos e o sentimento do mundo", como diria Carlos Drummond de Andrade, mas agora, um pouco mais sabida de como ser "gauche na vida". Ainda quero fazer do mundo um lugar melhor. Ainda prezo pelo direito de sermos quem somos e viver com o que temos como algo inalienável e sagrado. E, como não poderia deixar de ser, permaneço ainda com a dificuldade de criar uma armadura pessoal que me preserve da maldade humana e dos joguinhos de relacionamento e protocolos interpessoal.

Contudo, não carrego mais dor e nem mágoa por isso. E muito disso, devo ao belíssimo processo de coaching (falarei muito dele nas próximas postagens) que tenho vivido e de sombras, ao lado de minhas queridas fiandeiras. 2020 é, sem dúvida nenhuma, o ano mais estranho e bizarro que nossa geração já pensou em viver, em função da pandemia do COVID-19; mas, a despeito disso tudo, o isolamento social e a quarentena pessoal nunca foi - ao menos para mim - tão especial e real.

Posso enfim dizer, como em raríssimos momentos de minha vida, que agora SIM! estou a colher os frutos/louros da imensa seara de aprimoramento moral e reforma íntimo-pessoal a que me dediquei. Tal como a música, "hoje me sinto mais forte / mais feliz, quem sabe?" e levo a certeza de que uma pessoa melhor hoje eu sei e gosto de ser. Olho para o espelho, todos os dias, pela manhã e repito a mim mesma, olhando no fundo dos meus olhos, frases que sintetizam características positivas da minha personalidade e, nessa hora, reconheço o perfil dessa pessoa sobre quem eu me refiro. 

Sento e tomo café com minha sombra como quem atura agora, com menos desgosto, o pirrallho chato do irmão mais novo da sua vizinha. Descubro que, surpreendentemente, ele tem anseios e vontades interessantes para me colocar para pensar. Podemos, enfim, trocar perspectivas e paradigmas enquanto o super ego arbitrário insiste em avacalhá-lo. E eu, como único adulto desse triângulo semi-amoroso, contento-me em ser o adulto conciliador (e integrador) entre os outros dois vértices. 

Sejamos, pois, espelhos-berços de todos esses eus que em nós nos habita para refletir (enquanto imagem e meditação) a beleza tranquila de sermos quem somos, sob o embalo quase que maternal de tudo aquilo que sonhamos ser um dia.

Comentários

Mariza Parera disse…
Que presente ler seus textos!!! Inteligente, sensível...que me dá orgulho em ser sua amiga e sua fã..da pessoa maravilhosa que es...suas muitas versões se completam e enriquecem o mundo e a vida de quem te cerca! Parabéns! Te amo! Di

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