insônia
Já fiquei sem dormir por tudo quanto foi motivo. Da balada paga ao boleto não pago.
Já tive insônias de angústia às insônias de labuta. Já varei a noite em rito. Já varei a noite só comigo.
Já passei noite acordada embalando um filho. Idem conversando com amigos.
Já troquei o dia pela noite nas férias. Já revirei na cama por excesso de ideias. Já pastei madrugadas a fio, sofrendo um bucado. Já fiz o mesmo em jornada de trabalho.
Mas nenhuma dessas é tão ruim quanto as que vêm como punição. A insônia pseudo corretiva, de açoite nas mãos.
Quando se tem quase 40 anos e se carrega dores de 20, dentro de feridas de 60, fica difícil convencer a si mesmo que dormir é uma benção.
Afinal, para isso, é preciso primeiro ter o aval para o descanso, após o dia dos justos. Em seguida, saber pelo o que se levanta, na manhã seguinte... E, por fim, ainda que se tenha ambos, é indispensável algo que chamo de condição.
Não aquela garantida por rotinas noturnas e práticas relaxantes. Refiro-me a orgânica, de mente-emoção.
E sem isso, não adianta remédios para dormir, nem oração. Casos assim, só com autocombate e profunda redenção. Coisas extremamente complicadas de alcançar em apenas 24hrs.
Perdão
Compreensão
Aceitação
De sí, do mundo e do outro.
A pálpebra cansada se perde em lágrimas, como quem pede para desistir. A articulação temporomandibular, por outro lado, trava enrijecida, protagonizando a famosa dor orofacial ferina.
E o corpo? Ah! Esse pedaço de carne, cheio de músculos, nervos e pele... Como fica?
Órfão de equilíbrio psíquico, emocional e metabólico, óbvio! Como ampará-lo, afinal? Recuperá-lo para novamente arrastá-lo, fardo abaixo?
Não! Enquanto houver sombra sem porto, dor sem consolo... Cá estarei eu, noite sem sono.
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