Em uma realidade paralela!

Hoje fui pega de surpresa pelo luto... Do nada!! Li logo cedo que...

Reconciliar? Como??
Não há volta para quem passa por uma perda gestacional... Certa está quem diz que "cada gravidez é única / nenhuma gestação é igual a outra". Posso dizer o mesmo sobre abortamentos espontâneos, hemorrágicos ou retidos.

A gente acredita que, após a primeira vez, não tem como viver isso de novo. Onde já se viu? É quase como um acidente de percurso... algo como um raio que não cai 2x no mesmo lugar, ou catapora que só dá uma vez.

Se descobrir grávida é o mesmo que se ver com uma criança no colo; afinal, é para isso que as mulheres engravidam (ou, no limite, é isso o que acontece ao fim de um parto bem sucedido). 

Ninguém engravida e pensa: "péra, que de repente nem evolui. Esse primeiro trimestre eu não posso X coisa porque estou gestante, mas espera... Vai que naturalmente A gravidez não vai para frente e aí eu faço!". 

E, nesse sentido, após uma perda gestacional, a próxima gravidez o que passa em nossa cabeça é - sem dúvida nenhuma - que essa será a gestação do tão esperado bebê arco-íris. É o destino passando a limpo o rascunho anterior. Versão final!

Era o que eu imaginava também!
Até perder a segunda gestação consecutiva. Já fez um mês que eu ouvi a médica dizer que não estava encontrando mais batimentos cardíacos no meu ventre, justamente naquele tiquinho de amor que já teve um coração que bateu a 180 bpm no 1º ultrassom. E, do nada, sem aviso prévio, a gestação simplesmente, "parou de evoluir"... foi o que me disseram. 

Só que, até hoje, as ideias e os planos para sua chegada não pararam de evoluir. Cada roupinha de neném que vejo por aí, eu lamento por não comprá-la para o meu enxoval. Cada arrumação da casa que passa pelo espaço vazio que era para ser do nosso novo integrante da família, eu sinto o ar do cômodo pesar. 

Até cada vez que o Davi, meu primogênito promovido a irmão mais velho, lembra que não terá mais outra criança para integrar o time dos filhos em seus planos de brincadeiras e rotina malucas, um nó me engasga a garganta e o me peito se aperta. 

E nem a data que era para ser o chá de bebê... Essa também não parou de se aproximar. Nem retomar a rotina de trabalho, que um dia foi tão especial, conseguiu - até agora - eliminar a sensação de que não era ainda o momento de estar de volta. 

Tudo se passa como se eu estivesse no lugar errado, em uma realidade paralela.

Em contrapartida, nem as coisas que eu deveria estar fazendo (estudando, fazendo os trabalhos da faculdade, cuidando de tantas outras demandas...) eu tenho tido disposição para fazer. É como se aquilo que as conferiam tanto sentido, de uma hora para outra, tivesse se reduzido a pó.

Mas a verdade é uma só:
O tempo não pára.....
.....mas as gestações - independente de quantas, ou semanas, desde a última menstruação; aahhh, querido (a) leitor (a) essas sim páram!!!

Quer a gente queira, quer não.
E não há nada que possamos fazer quanto a isso.

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