Pertença II - noix que lute!

OK, EU SEI, QUE LÁ NO OUTRO POST INICIAL, EU FIZ UMA LINHA TEMPORAL GIGANTE AÍ DE 300 CARACTERES... 

com gatilhos de dinâmicas de grupos sociais que eu me vi tendo que lidar. 
Se você está chegando agora, por favor, lê primeiro.... ESSE AQUI!!!

Agora, se você chegou até aqui:

🚨Eis que então, por intermediário de uma amiga, está lá o homem... Eu o encontrei... E naquele abraço, ele me acolheu. Eu o abracei, de novo: como quem abraça um Pai. Alguém com quem você se identifica, quando crescer, basta que ele tenha orgulho de ti e todo aquele papo do post anterior...

...mas aí chega o dia OFICIAL da nossa apresentação, dos membros do curso que se propunha a formar lideranças de comunidades tradicionais de axé, que eu decidi participar.... Poxa, eu vi e ouvi tantas pessoas LINDAS se apresentando que eu queria ir lá abraçar uma a uma.. de imediato, naquela hora (mas eu segurava a emoção, abraçava com o rosto e o sorriso) em suas narrativas, cada história de exclusão, de injustiça, de marginalização de uma prática, que em sua raiz, deve ter as portas abertas a TODES.

E elas estavam ali, todas umbandistas e ainda sim, cada ume com sue dor, cada ume com sues marcas... E só o que eu pensavam: de onde foi que elas saíram??? Onde é que elas estavam escondidas esses quase 20 anos de terreiro embranquecido, por onde eu andei a minha vida toda, mas que também existiam aquelas que - assim como eu - estavam atrás de outras pessoas que pudessem compreendê-las. Que sabiam  bem o que a é discriminação de gênero, raça, gordofobia, estética fora do comum (diz aquela que precisou usar aparelho extrabucal, que pareciam mais um capacete de futebol americano), de intolerância religiosa e econômica. Discriminação dentro de casa, de suas famílias, as vezes dos mais próximos.

E eu sentia profundamente no peito; de novo: AONDE É QUE ESSAS PESSOAS ESTAVAM quando eu também - estava como elas - sangrando por dentro??? Daquele momento em diante, um pacto silencioso surgiu. Seríamos uma família. E formaríamos isso junto.


Mas se tem algo que A revolução dos Bichos me ensinou é que existem os iguais; mas ainda existem alguns que são mais iguais que os outros....

... E nos últimos 6 meses, isso passou a ficar completamente escancarado.
Política de micro pode DE NOVO, ver e ser visto em TUDO, e registro nas redes sociais. Estar em todas as inaugurações, destacar as presenças ilustres. Mas a dúvida ainda pairava no ar. Se os encontros eram mensais, se no grupo de sacerdócio não havia nenhuma programação de visitação coletiva ou agendamento comunitário de troca para conhecimento de outros espaços; aonde é que esses esquemas eram combinados? Como é que as pessoas sabiam? Como, do nada, pipocam fotos das pessoas em rolês a legenda diz "galera do curso" e você nem saber, sabia; o que dirá sair junto na foto? 

Daí começou um movimento, entre alguns líderes, patota, de se visitar; ir um no xirê do outro. E mais fotinhas no Instagram. E pra quem acabou de perder a mãe, ter uma semestre de faculdade para finalizar, uma casa em caos de mudança e duas pessoas - incluindo a si mesma - tendo que lidar com um diagnóstico de Autismo ====> essas interações não seriam mesmo algo simples para que eu pudesse ter feito, ainda sim se uma chance dessa eu tivesse.

🚨Aí veio a verticalização!🚨

Veio o exercício de uma metodologia propositivamente inalcançável
Veio as tesões adicional e, há um mesmo antes da entrega da proposta, o tremor
Existe suor, lágrima, muita labuta para entregar o bendido trabalho.... sim.
Veio a pedagogia da opressão, ao melhor estilo Bope: Faca na Caveira 
(E, de preferência, pedindo pra sair). Além dos julgamentos aos montes, por todos. A baciada.

E, como em um castelo de baralho de cartas que em um leve sopro se vai, toda aquela construção teórica, feita sobre a filosofia ubuntu, sobre ARTE DE CURA, resgate ancestral e letramento racial.... SUMIU. No quesito termos do exercícios, ok, como teste, é ótimo sim; poderia ter sido muito melhor elaborado; inclusive com muito mais troca, construção conjunta; cocriação. Com mais tempos, com a devida orientação, com respeito aos momentos de vida de cada indivíduo e aos seus sigilos.

MAAAAAS com qual justificativa se bate e se erra tanto?

Aquilo em diante nada mais seria do que forja. Ele ia bater e bater de propósito pra temperar um aço que, sinceramente, ele não tá ligado o quanto essas almas já levam pauladas e braseiro azul no lombo, até a sociedade exigir da gente aquilo que ela quer.

E o resultado não poderia ter sido outro! Várias pessoas desse coletivo inconformadas, outras articulando um esquema para falar com o professor depois de todas as apresentações; eu Border, descontando na automutilação, outras ainda foram ao PS por crise de ansiedade e ataque de pânico.

Agora o que fica para mim depois disso tudo?

✒️ A imensa vontade de sair de tudo quanto e grupo grupinho ou grupão

✒️ A imensa vontade de achar que eu posso ser um ser gregário, que fico a frente de grupos e exército a minha liderança servidora; DESISTIR sumariamente

✒️ Esquecer a possibilidade de estar em uma sala de aula. Talvez oficina de leituras e casas de culturas 

✒️ Dessas que a gente consegue via pcd, e foco única e exclusivamente no meu filho Davi. Nós atendimentos e cuidados específicos que ele precise ter 

✒️ Buscar dentro de mim que acabou natal, família, acabou tudo o que já há 17 anos. Agora, será meu marido e eu que vamos ter que dar conta de ressignificar; porque família agora sou só eu, meu filho, meu marido, a Neusinha e os padrinhos do Davi. + Os nossos bichos, nossa criação.

✒️ Pra mim, de uma vez por todas, acabou pai, tia, cunhado, vizinho. porque quando você está sendo afastado do eu trabalho por ideação suicida; um foi jogar tornei na Itália, a outra está organizando entrega de fim de ano da cesta básica, cunhado organizando o casamento do filho; e aquele seu irmão, cosanguínea...está cagando e andando para você.

Se eu acordo viva
Ou não.

E, nesse momento, vendo o peso que é para o Daniel, como minha rede apoio; a tensão das pessoas que estão mais próximas de mim aí me verem assim.... Eu só penso, se eu cortasse com uma navalha bem afiada a jugular .. acabava esse sofrimento para todo mundo.

Talvez em outras épocas, eu estivesse já na faze de planejamento. Organizando papelada e material doméstico para orientar o Daniel em casa e eu não puder fazer.

Com o dinheiro que a minha mãe deixou deixava1/3 de tudo o que aí da tem para o Daniel; 1/5 num conta no nome do Davi. 

A casa, certeza, será deles.
O carro, eu vou acionar o seguro prestamista e quitar o financiamento.

Ficava tudo em paz, sabe?
Só, claro, para o Davi - quem eu não tenho coragem de fazer ele viver com 10, o que eu não tenho tudo estrutura emocional com 40; que é lidar com a perda da nossa mãe.

E o Dan, coitado. Quem eu amo por tudo e TANTO. Perdeu o pai com 15 e a mãe com 19. Não consigo pensar como ficaria a cabeça dele em ter que me enterrar e dar destino as minhas tralhar.

Então sigamos
🦹zumbi de sobrevida 

Afinal;
Autistas não tem pertenças!
#euquelutecomisso

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