A verdade por trás da verdade

 Éh... faz tempo que não passo por aqui para deixar umas ideias... palavras reunidas por pensamentos e sentimentos. Tentativas de ler e rever o meu mundo interior. O que se passa dentro da minha solitude, quando todos dormem ou enquanto ninguém vê; muitas vezes, nem mesmo eu.

Mas eu sou uma pessoa de Letras!

E, para pessoas como eu, folhas em branco são espelhos, reflexos de imagens não ditas, não explícitas. Não passam incólumes. Que despero! Tão logo elas se apresentam a nossa frente, já as palavras pessoais brotam, rompem a casca e - de lá - escorre a raiz que carregam a verdade. Mas não qualquer verdade! A verdade por trás da verdade. Essa sim rasga o peito. Escancara o que dói, dilacera a alma. Revela o que pesa e o que, de fato, sustenta o superficialmente visível aos olhos do código social.

Tá, eu realmente (e finalmente!) sai do fundo do poço do estado depressivo que acometeu profundamente a minha saúde mental frente a todo o caos conjuntural (familiar e profissional/mental e emocional) que passei no último ano? SIM!! Eu sai.

Estabilizei (completando 8/9 semanas), sai da cama, vislumbrei o futuro e, por ele, corri atrás do que estava ao alcance das minhas mãos para progredir? SIM!!Voltei a ficar funcional, peguei dois trabalhos de revisão e prestei um concurso público. Coloquei o autocuidado (da minha família e meu!) na frente de tudo e, talvez por isso, estamos todos (Dan, Davi e eu) indo a médicos, fazendos os exames, revendo acompanhamentos especializados e práticas de atividades físicas.

Isso tem ajudado a mostrar para mim e para os outros que não estou - aparentemente - mais nociva.

Contudo, não se chega nesse lugar, depois de tudo pelo o que passei, da noite para o dia, assim, num piscar de olhos e, sobretudo, sem suporte!! No meu caso: acompanhamentos psiquiatra, medicações, rede de apoio com o marido, filho e uma pessoa que cuida dos afazeres domésticos; além da minha psicóloga, do grupo de habilidades em DBT e, claro, a internação em HD.

AH!!! + natação / + risos diários na escolha dos nossos entretenimentos (aquilo que estamos assistindo diariamente, em família) / + válvulas de escapes SIM!! Porque niguém é de ferro: uns chicletinhos aqui, os sequilhinhos ali (compulsivamente, confesso!) com um café e mais café acolá. Os cigarrinhos aleatórios quando não mais posso suportar (e escondida do meu filho, vejam só que paradoxo!) e joguinhos eletrônicos no celular (em outras palavras, as tais "recompensas rápidas"!). 



Só que, nessa vida, tudo tem seu preço.
No meu caso, tem peso!
São 12 kg a mais de tecido adiposo que precisam virar massa muscular.
Uma hérnia de disco na cervical,
Um edema ligamentar na lombar,
Crises aguda de dor por DTM (Disfunção Temporomandibular, uma distensão na ATM que traz muita dor orofacial, enxaqueca e tensão articular); 

Isso tudo, é claro, além de inflamar todas as minhas articulações (Fibromialgia? Talvez!)... E quando que esse acumulado de coisas resolve culminar, sra. e srs.? Lógico, na minha semana de TPM, cólica monstrual e hormônios a flor da pele. 

Uma verdadeira de prova de fogo!

A verdade por trás da verdade é que o peso que tem me provocado tanta dor não só é real (existe e me acomete deveras) como também me coloca em xeque quanto ao passado recente, a cerca de como a minha mãe partiu, em seu últimos dias; repletos de muita dor e como eu lido com essas lembranças: morfina na veia, monitoramento pela equipe especializada em dor crônica do hospital, reserva - inclusive - do centro cirúrgico para a realização de um procedimento neurológico onde os médicos iam pinçar e interromper a comunicação do nervo com o cérebro; de tão intensas que essas dores, que ela sentia, eram. Só que não deu tempo... Quem diria que opióides causam depressão respiratória?

Bom, a questão agora é que isso vem pra mim bem perto da fatídica data!!!
Um ano de sua partida. E que ano!! Hoje, eu olho: para a casa onde estou, as roupas dela, a cachorra dela, os móveis e pertences da casa dela... e acho, enfim, de onde vem o peso que carrego nas costas. De certa forma, subi "de level" no jogo da vida e, agora, exerço um papel que simplesmente me foi lançado, jogado sob as minhas costas; tal como quando temos que enferntar o "BOSS LEVEL" nos jogos de videogame. Isso tudo, com a mudança de todas as coisas da minha família de um espaço (anteriormente só nosso), agora coexistindo nesse outro espaço que nem se tornou a nossa nova casa e nem é mais a casa que ela deixou: se tornou um ser meio híbrido, andrôgeno, e que só agora fez cair a ficha para mim; de que - do nada - estou com mais coisas do que talvez eu seja capaz de carregar:

  • Administrar essa casa. Imensa, da mudança às finanças; 
  • Cuidar do Davi e das necessidades especiais que ele precisa que sejam cuidadas;
  • Tentar retribuir ao meu marido o cuidado que ele suportou e ainda suporta, que o fardo de todo o cuidador (e olha que desse peso aí, eu conheço bem); além dele ainda bancar desde os cuidados com o Davi, com os bichos e plantas dessa casa imensa; até o meu apoio e cuidados comigo, com o carro, com os serviços de manutenção doméstica e pequenos reparos que esse espaço tanto precisa e, lógico, os cuidados consigo mesmo;
  • Do meu futuro profissional no IE. Desde as consultas no ambulatório com a médica do trabalho até as possíveis questões previdenciárias futuras;
  • Da frequência e permanência do meu tratamento no HD e "seus compilados": grupos, atividades, eventos etc. Além do grupo de DBT, da hidro e do nosso retorno às aulas de Yoga (bem em breve);
  • Cuidar da minha formação acadêmica. Faculdade, pós, TCC. Dela, abrir novas frentes e possibilidades de atuação profissional: revisões, editoras, instituições culturais e escolas privadas para 2024 e 
  • Ainda por cima, contribuir para permanência de um projeto fruto de um convênio público-privado (Instituto Amendoeiras-Consulado Britânico); que eu ajudava a minha mãe a gerenciar e ele não podia parar pela ausência dela (afinal, são muitas questões sócio-culturais e econômicas envolvidas... alguém tinha que pegar a batuta para prosseguir com a regência, para não se perder todo o trabalho de ação social e pesquisa, além da própria verba investida em si);
  • Lógico que, mês de julho/agosto, em meio a uma visita de parentes que estão no Brasil (alguns que não vejo tem pelo menos uns 12 anos!), vindos de Londres e do Japão para rever a família.
Em suma: tá, tá puxado.
Isso, quando não me vejo fazendo as mesmas coisas, da mesma forma, carregando os mesmos pesos, sentindo as mesmas dores "como nossos pais":


"(...) Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais

Nossos ídolos ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não (...)"

Não tem jeito...

Belchior, sim, é quem estava certo, eternizado pela voz inegualável da nossa pimentinha! Eu vejo mesmo "vir vindo no vento / Cheiro de nova estação". E ainda mais: "Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração!"


É como se eu me tornasse, sem perceber, uma jovem Atlas, carregando esse imenso amálgama, sem Ela. E, cada vez que eu penso nisso, não sei, deve existir algum gatilho judaico cristã, pseudomoralista, que adora uma culpa e um autoflagelo; ou sei lá, eu simplesmente não sei explicar de onde vem isso, que me faz não dormir. Ai, eu digo a mim mesma que vou trabalhar nos meus 'jobs' / freelancer, como revisora... e quando vou ver, gastei todo o tempo aqui, nesse texto (procrastinação ou livramento? quem sabe?); e se não fosse nisso, seria em outra coisa (joguinho no celular, redes sociais), porque esta é a verdade que eu acabei de perceber: cada dia que passa, eu sinto que um imenso gêiser vai se formando e borbulhando em meu ventre... A tal ponto, que meu corpo, minha mente, meu sono... tudo isso: colapsou! Essa é a verdade, nua e crua!


Será que tinha como ser diferente? #divagaçãofeelings
Acho que não... Mas, também, "No Surprises"...

 


Such a pretty house
And such a pretty garden
No alarms and no surprises (get me out of here)
No alarms and no surprises (get me out of here)
No alarms and no surprises, please (get me out of here)

#EuQueroMeuVicodin
#SérieDr.House.T5
#InternaçãoPsiquiátrica
#TranstornosMentais
#DependênciaQuímica
#CompulsãoAlimentar
#Dor #Cansaço #Luto

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