De repente 30
Quem nunca viu esse filme,
“De Repente 30” (13 Going on 30)?
Só eu assisti uma penca de vezes, por indicação da minha melhor amiga. Lembro que quando o filme foi lançado em 2004, eu tinha uns 22 anos. Já estava na faculdade, em busca da tal vida que a gente sonha quando somos pré(?) adolescentes. Essa minha amiga do tempo de colégio, cúmplice e parceirona minha desde os ditos 13 anos, e eu já trabalhávamos... Ela noiva e eu cheia de namoradinhos, viajávamos e curtíamos as delícias da idade. Mas pensávamos sempre naquele estereótipo horroroso que, às vezes, somos submetidos. Nessa sociedade cheia de pré-julgamentos, que categoriza os jovens entre os populares e o resto. Claro que eu sempre fui da turma do resto. Que tinha amigo em todo tipo de tribo, mas que nunca sentia ter realmente espaço para ser eu mesma.
Hoje, cá estou... com 30 anos. Pensando em como nossa percepção sobre nós muda conforme a idade e a época de vida. Quando eu tinha 13 anos, achava que com 30 eu seria uma profissional bem sucedida. Seria casada, já teria filhos (plural!). Teria uma casa funcional, com a arquitetura dos sonhos e toda uma estrutura que funcionasse sozinha. E eu, teria tempo para me dedicar à arte e à família, mais do que qualquer outra coisa. Engraçado é que, quando “chegamos lá” descobrimos que ter 30 anos ainda não é nada frente a um tantão de coisa que ainda queremos realizar. Mnha alma ainda pensa e sente como uma garotinha de 13 anos que ainda quer carolinar uma porção de sonhos e conquistas.
Ok, ganhei bagagem para algumas coisas, experiência... mas meus olhos ainda se deslumbram com o que gosto e amo exatamente como a garotinha que ganha uma casinha de boneca linda feito pelo melhor amigo. E ainda corro emburrada para me trancar no armário, ou no recanto aconchegante da minha casa, quando algo não sai exatamente como eu esperava.
A verdade é que... quando lembro desse filme, quando lembro da percepção que eu tinha de mim, aos 13 anos, quando chegasse aos 30 e hoje, enfim, me vejo e me percebo com essa idade... eu penso como a vida pode ser mágica e ao mesmo tempo transformadora. Mágica porque para melhor ou pior, graças aos Céus, tudo passa,tudo na vida muda. Ter 30 anos não é mais sinônimo de já estar velha, adulta, que já fez tudo que tinha que fazer na vida e fim da história. Ao mesmo tempo, não tem mais aquele monte de pressão e imposição da adolescência que parece escravizar nossos sentidos e nossos sonhos. A ponto de nos condicionar a seguir um caminho que depois, só mais tarde, vamos ver que não era exatamente o que queríamos.
Não conquistei e nem atingir tudo que achava que alcançaria. Porém, fiz algo de mim, algo que é só meu e que me orgulho disso. Ergui minha casa, meu casamento e agora, aos poucos, vou erguendo minha nova família. Formei uma base sólida de espiritualidade e religião. Não viajei tanto quanto eu gostaria, não me envolvi tanto com artes como minha alma me pedia, mas hoje sou profunda admiradora de ambas jornadas. Sou cercada de gente que eu amo profundamente e que hoje se lembraram de mim porque me querem bem.
Tá, estou longe de uma carreira e de uma atividade profissional que eu considere estável ou madura, mas há pelos menos 4 anos que a vida tem sido generosa comigo... Ao me dar oportunidades para me lapidar e conseguir um dia ainda alcançar um patamar nesse sentido. Ainda não me sinto suficientemente independente financeiramente, contudo, tenho uma profunda satisfação de dizer que hoje sou responsável pelas minhas despesas e meus gastos. E que as futuras conquistas materiais (casa própria, carro e outros bens) eu ainda terei mais 30 anos, hehehehe, para buscá-las ao lado de uma pessoa batalhadora e tão empenhada quanto eu.
Tá, estou longe de uma carreira e de uma atividade profissional que eu considere estável ou madura, mas há pelos menos 4 anos que a vida tem sido generosa comigo... Ao me dar oportunidades para me lapidar e conseguir um dia ainda alcançar um patamar nesse sentido. Ainda não me sinto suficientemente independente financeiramente, contudo, tenho uma profunda satisfação de dizer que hoje sou responsável pelas minhas despesas e meus gastos. E que as futuras conquistas materiais (casa própria, carro e outros bens) eu ainda terei mais 30 anos, hehehehe, para buscá-las ao lado de uma pessoa batalhadora e tão empenhada quanto eu.
Chego aos 30 com a sensação de que a vida é sim aquilo que fazemos dela.
E, a partir daí, ainda haverá muito por fazer.
Maturidade é algo sim que dá medo e assusta (ao menos para mim). Contudo, é sinônimo de evolução da vida. Portanto, que esse não seja “de repente 30” anos... Mas que seja, o início dos próximos 30, com toda essa renovação tão gostosa de experimentar.
Comentários
Uma das coisas que me peguei pensando, depois de ler o seu texto, e de me lembrar com detalhes de todas as passagens do filme, é que há um momento no filme em que a personagem descobre-se uma pessoa diferente daquela que sonhou ser um dia. É realizada profissionalmente sim, tem o cargo que sempre quis, independência financeira, beleza, status. Mas descobre-se solitária, má, articulada.
Podemos não ter alcançado ainda a estabilidade financeira e profissional que almejávamos na adolescência. Mas, posso afirmar com bastante certeza, que chegamos aqui sendo exatamente a pessoa que desejamos ser. Repleta de paixão pela vida, sensíiiiiiiiiveis ao extremo, cercada de amigos, de amor. Feliz. Sim, ainda temos um tantão de vida pra correr atrás. Um tantão de filhos para criar (Vc primeiro que eu...hahaha) mas somos fiéis aos nossos princípios, aos nossos valores mais íntimos. A nossa essência.
E chegar aos 30, sendo fiel a nossa essência, aquela mesma da infância, da adolescência, é uma grande virtude.E mais do que isso, é um sinal de que a maturidade pode sim ser conquistada sendo exatamente quem somos, com 30, 60, 90 anos.
Amei seu post. Beijos.