Que histórias seu corpo conta I

Tema do projeto Mosaico de Reflexões, para a 5ª blogagem coletiva do site.


Hoje eu completo 30 anos…
E pensando agora, são muitas as histórias que o meu corpo conta. Se eu pudesse aqui pincelar algumas páginas dessa verdadeira saga (com direito a diversos volumes), acho que começaria pelos dois traços que me remetem aos meus pais: as sobrancelhas e os cabelos. É bem verdade que eu puxei mais a minha mãe do que meu pai, mas a característica que me entrega completamente como “filha do meu pai” sempre foi as sobrancelhas grossas. Mesmo que para isso eu tivesse que ir contracorrente da moda que impõe sobrancelhas finas para as mulheres. E, por ter nascido prematura, e ter sido também  ‘alvo’ de uma promessa da minha mãe a Nossa Senhora Aparecida para que eu sobrevivesse, durante bons anos da minha vida, eu usei meus cabelos cumpridos. Longos cabelos pretos, como os da minha mãe Bete e da minha mãe Iemanjá.

carol blog

Agora, a partir desse ‘prefácio’, vale dizer que o fato de eu ter nascido de 5 meses e 3 semanas determinou grande (senão quase todas) histórias que eu hoje escuto o meu corpo contar… Eu nasci com 1kg e emagreci para 800 gramas. Era menor que uma caneta BIC. Tão prematura desse jeito, vim com uma série de probleminhas de saúde (bronquite, pequena arcada dentária, comprometimento nasal e por ai vai…). Até certa idade da minha infância, lembro-me de ter que ir regularmente a médicos e pediatras que avaliavam meu crescimento e meu desenvolvimento, de modo proporcional as medidas do meu corpo.
Acho que por isso, meu corpo e eu sempre tivemos que lidar com o diminutivo… baixinha, pernas finas, mão curtas, seios pequenos. Tudo em mim era inho... Na puberdade isso se tornava um desafio, por me sentir e me perceber sempre aquém do que eu via as demais pessoas serem. A verdade é que, nessa fase terrível da vida, todo mundo se digladiam com seu corpo. Não tem jeito... Eu usei aparelho dentário, engessei a perna e o braço uma porção de vezes. Usei bolo de meias para aumentar o volume dos seios. Prendi muito meu cabelo rabo de cavalo para não parecer para as pessoas que eu não tinha conseguido desembaraçá-lo.

carol corpo

Ai o tempo passa, a gente cresce e, aos poucos, vamos aprendendo a conhecer e respeitar nosso físico, não mais como um inimigo; mas, sobretudo, como envoltório do nosso íntimo. O marco dessa época para mim entrou para a minha história de vida quando resolvi cortar o cabelão. Não porque eu deixei morrer em mim todo o simbolismo que eu tanto amava nos longos cabelos negros. Mas porque naquela altura do campeonato, eu já tinha interiorizado esses símbolos de tal forma na minha vida, que não precisava mais do peso do cabelo para sustentar aquilo em mim.

Cortei o cabelo. Comprei sutiã com bojo. Tirei o aparelho dos dentes. Arqueei minhas sobrancelhas (mesmo ainda deixando-as grossas) e passei a usar mais salto alto. Na verdade, menos até do que poderia (gosto de ser baixinha... como diria meu marido, na noite em que nós nos conhecemos: as baixinhas também dão um caldo, hehehehe). Mas, o que quero dizer é, que depois de certo tempo, passei a amar o meu corpo com tudo aquilo que ele podia me dar. E passamos a nos relacionar cada vez com mais sinergia... ele conhecendo aquilo que eu achava bonito e ele me mostrando o que caia melhor em mim.
E, enfim, entendi o quanto de mim estava nele e quanto ele era muito do tudo o que sou hoje.

foto (1)

O final dessa história? Ainda não chegou... Mas nos últimos meses começamos a escrever o ponto auge das nossas trajetórias. Uma história que merece um capítulo a parte. Que eu ainda quero “gestar” mais um pouquinho para voltar aqui e contar até o fim da blogagem.



Comentários

Ariany Moreira disse…
Linda Carol!

É muito legal poder acompanhar, ainda que de longe, sua transformação.

Vejo vc como uma mulher guerreira, de fibra, e pelo visto vc é realmente tudo isso! Linda a tua história e a forma como vc se relaciona com seu corpo.

Ficou o gostinho de "quero mais", ainda bem!
Ghi disse…
Muito legal! Parabéns por se amar!!!! =D
Mariza Parera disse…
Sabe que o corte do seu cabelo também foi um marco para mim. Nós dividimos muito essas angústias com o corpo na adolescência. Vc, com todas essas questões que discorreu e eu, lutando com a balança desde sempre...rs...
O corte do seu cabelo foi uma fase de transição, de renovação, de recomeço. Engraçado que pra mim tbm...rs...por estarmos sempre tão próximas.
Achei maravilhoso vc dizer que com o tempo passamos a perceber nosso corpo como nosso envoltório. É isso mesmo...passamos a descobri-lo como parte da nossa essência. E aprofundando o pensamento ainda mais, acho que descobrimos até mesmo as razões de nossas limitações, de sermos tão "inhos" ou tão "ões", de sermos tão frios ou tãaaaao sensíveis. E essas limitações, nada mais são do que a nossa própria salvação. Sim, pq são elas que nos impulsionam a desenvolver aquilo que não temos. A amar aquilo que nem gostamos tanto em nós. A nos aceitarmos.
Amei esse post tbm...Sensível como vc. Um bj grande.

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