Criação com Apego ou Attachment Parenting

Bom, já era sem tempo de registrar aqui um pouco do universo que ando mergulhando.
Trata-se da Criação com Apego ou Attachment Parenting, um movimento que ganhou nome e força com o pediatra americano William Sears duas décadas atrás. Alguns chamarão de método de educação ou pedagogia. Mas para mim, trata-se 'apenas' de uma forma respeitosa de se criar filhos (bem difícil, por sinal!).

Pra simplificar, são princípios que ajudam na criação de relações fortes e saudáveis entre pais e filhos. Depois que sai da minha Depressão Pós Parto, que durou 1 ano e 10 meses, senti a necessidade de fortalecer meu vínculo com meu filho e reaproximá-lo de mim, como uma referência de afeto e segurança. E quando uma amiga me falou com mais profundidade sobre essa 'teoria do apego', já conhecida desde meados de 1950, achei sensacional!! Atendia perfeitamente ao que eu precisava no momento.

Segundo essa teoria, para explicar a formação do vínculo entre o bebê e seu cuidador, na maioria das vezes a mãe, é fundamental estar emocionalmente disponível para criar o filho com um olhar mais sensível às suas necessidades. Em outras palavras: é a construção diária de uma estrutura de paz, calma e equilíbrio (repito: bem difícil de conseguir, por sinal!) que através da maneira que respondemos ao choro, birra e "maus" comportamentos da criança ou bebê e às suas necessidades imediatas.

E antes que alguém pergunte, rs, os adeptos da criação com apego tem base científica que dão suporte a suas escolhas. Estudos internacionais mostram que o cuidado materno afetuoso na infância leva ao aumento de uma estrutura cerebral chamada hipocampo, envolvida no processamento da memória e do comportamento emocional e que gera consequências positivas para o resto da vida da criança. Principalmente no quesito autoconfiança e sim, independência. Segundo a psicologia, quando um indivíduo tem uma base sólida de afeto e suporte familiar, naturalmente desperta nele um sentimento de segurança, que leva a autoconfiança e confere maior ímpeto no atendimento de seus anseios pelo mundo.

Com base em tudo o que li e estudei a respeito, uma disciplina positiva leva a criança a desenvolver uma consciência guiada por suas própria consciência interna e compaixão pelo outro. Não é deixar fazer o que ela quer. Crianças precisam que mostremos o caminho. A punição enfraquece em parte a conexão entre os pais. Traz os sentimentos de vergonha, injustiça, humilhação. Bater ensina que a violência é a forma de resolver conflitos e problemas. Agachar a sua altura, olhá-la nos olhos, e mostra o que há de errado em seu comportamento (uma, duas, 30X se for necessário) enraizará na criança valores como diálogo, aprendizado, conhecimento e discernimento. Uma vez que o foco não é punir e sim, instruir. Explicar e apontar na hora o por quê dos porquês.

E para quem acha que essa linha é muito "liberal", saibam de uma coisa: a criação com apego diz respeito a bebês mas também se aplica aos mais velhos. O bebê é uma criatura que, OK, você precisa dizer ‘sim’ o tempo todo. Agora, as crianças mais velhas - com uma postura positiva - não só pode como é preciso dosar ‘sim’ com ‘não’. O que venho percebendo com o meu filho, Davi, de 2 anos, é que existem diferentes formas de se ensinar uma criança a respeitar seus próprios limites e os dos outros. E não vou mentir: há vezes que meu pavio está mais curto e aí é ‘não’ pelo ‘não’. Mas sei que esses momentos não ensinam limites. Ensina autoritarismo e medo.

Não podemos menosprezar a capacidade das crianças. Cada vez mais elas demonstram que entendem TUDO o que a gente explica a elas. Assim, eu venho - sempre que posso - explicando as razões pelas quais deixou ou não meu filho fazer algo. Marco os limites de "Pode!", "Não pode!" com a devida argumentação, para que ele compreenda o porque do sim ou do não. Fazendo isso, sei que ensino não apenas o limite de cada coisa a ela, como também a importância de ouvir e ser ouvido, de respeitar e ser respeitado.

Abaixo, há todos que tenham interesse sobre o assunto, compartilho um pouco do que tenho estabelecido aqui em casa:

1) aproveitar todo o tempo livre para ler e estudar! Nossos filhos merecem o nosso melhor. E eu, como muitas mulheres, trabalho, cuido de casa / quintal / bichos de estimação e plantas (além dos demais  afazeres domésticos: comida, roupa, louça etc.), cuido com rigor da minha saúde (não posso descuidar...) e do meu núcleo familiar. Tento me dedicar a uma atividade física e religiosa, sem esquecer da vida social... Ufa!!! Em resumo: também corro diariamente como vocês!!!! E ainda sim, NÃO DEIXO de me dedicar a essa responsabilidade monstra que é educar um filho.




2) optar sempre por uma educação positiva: ou seja, minimizar os nãos (retirar ou rever todo e qualquer objeto ou circunstância que possa suscitar numa bronca ou reprovação. Tomadas, acesso a altura, coisas que quebrar etc.) para que o NÃO indispensável seja, de fato, um não de repreensão, curto e enfático!



3) sempre que possível, faço uso de recursos lúdicos e colaborativos: em outras palavras, se há sempre formas e formas de se comunicar e/ou realizar qualquer tipo de tarefa, opto por tornar aquilo lúdico (banho=piscina; dormir=cantigas ou leitura de história; comer=campeonato de bocão, avião etc...) ou colaborativo (demonstrar que algo acabou = levar na pia ou no lixo, por favor! Não querer esperar = peço ajuda na consecução dessa atividade [fazer a mamadeira comigo, limpar a casa,  fazer "comidinhas" quando preciso cozinhar, estimular que trabalhem em uma atividade quando preciso trabalhar,  brincar de cabana com o cobertor quando preciso ficar deitada, telefone de brinquedo quando preciso telefonar, jarra pequena/ pazinha e baldinho quando cuido das plantas, brinquedos para hora do banho, escovinha infantil para quando vou escovar meus dentes, e por aí vai...) Em suma: dou a ele uma alternativa compatível ao seu universo infantil para que ele me acompanhe em minhas atividades e ainda, o que lhe for indesejável, tento mostrar um outro olhar mais prazeroso.



4) não abro mão de pactuar com ele todos os limites, regras e rotinas:  além de estimular a fala, percebi que ajuda a criança a se adequar ao nosso ritmo (ao invés da gente se adequar ao ritmo delas). Para dar rápidos retornos e facilitar o nosso dia a dia, mostro a ele as opções que tem e o estímulo a fazer uma escolha (onde acarretará sempre em perdas e ganhos). E mantenho minha PALAVRA! Ou seja, cumprir aquilo que pactuamos, para que ela confie na gente e aprenda três coisas maravilhosas: lidar com aspectos positivos e negativos, esperar e não sofrer quando algo bom acabar. Exemplos: brincar no chão pode ser "desconfortável", mas dará mais liberdade para correr, pular etc. Agora, brincar no sofá pode até ser mais "confortável", mas ele não poderá correr e nem pular... Dou as opções e o faço escolher. Para que ele possa aprender a lidar com os benefícios e prejuízos de uma escolha. Do mesmo modo, estabeleço que brincar no quintal/rua/parque é de dia, a noite é hora de ir para cama e dormir. Chocolate só depois das refeições regulares... E assim por diante. (E, para isso, usar insígnias com poucas palavras ajuda bastante... Frases com 3 a 4 palavras, no máximo, ditas junto com um gesto específico, para facilitar na associação cognitiva - comunicação verbal e não verbal - e na assimilação de repertório, pela repetição!)




E ainda: NOMEAR! Na qualidade de "facilitadores" a criança precisa ganhar segurança com duas coisas que considero primordial:
========> A primeira é com suas emoções. Se ela tiver um acesso de alegria, felicidade - partilhar com ela da emoção e depois nomeá-la (isso que você sentiu é alegria, felicidade. É boa por isso, isso, isso... Mas logo passa!!!) . Se ela tiver um acesso de tristeza ou medo - partilhar com ela da emoção e depois nomeá-la (isso que você sentiu é tristeza ou medo  É ruim por isso, isso, isso... Mas logo passa!!!).



========> A segunda é com uma rotina (ainda que em linhas gerais, porque rotina é algo bem difícil mesmo). Tudo para criança é novo, um mundo cheio de intensidade e insegurança. Saber o que irá lhe acontecer, num roteirinho básico de atividades (que, claro, não precisam ser exatos, são só uma ideia sequencial do dia) ajuda a lhe dar mais serenidade, menos ansiedade ou insegurança com o que irá acontecer. Nessa tarefa, estou montando com o meu filho, desenhos que representem momentos do nosso dia: acordar, ir a escola, ficar em casa, comer, banho, passear, escovar os dentes, brincar...). Já percebi que algumas ferramentas como mural, cartazes ou plaquinhas são úteis nesse quesito. O importante é dizer: hoje vamos fazer isso, isso e isso e repetir para que a criança possa compreender. Se ela já tiver falando, é bacana fazer ela repetir para mostrar que entendeu. A cada atividade, lembrar o pactuado. Insígnia: "Agora é hora de X! Lembra?".



5) e o maior mandamento de todos: BRINCAR!! Seja comigo, com outras crianças ou sozinho. Mas não videogame, celulares, tablet e esses recursos eletrônicos (que ao meu ver devem, ao menos, ser minimizados!). Pesquisadores consagrados dizem que, assim como nós - as crianças terão seu tempo e idade certas para conquistarem essas tecnologias. Para a Unicef, Comunidade Científica e entre todas as correntes pedagógicas que li até agora, é brincando que a criança cresce e se desenvolve. Graças aos estímulos e repertórios de experiências. Nesse quesito, por sua relevância, farei um post específico sobre o tema.


É isso, espero ajudar quem por aqui passar. Estou disponível para todo tipo de troca de ídeias.
Abaixo, alguns links bacaninhas sobre o tema:

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