Fênix

Essa é fácil, seu mito todo mundo conhece.... A fénix (ou fênix), fênice é um pássaro da mitologia grega que, quando morria, entrava em auto-combustão e, passado algum tempo, ressurgia das próprias cinzas. 


Mas o que pouco se fala sobre ela é sua outra característica muito marcante: sua força! Que lhe permitia carregar cargas muito pesadas enquanto voa, havendo lendas nas quais ela chegou a carregar até elefantes.

Pois é, acho que melhor carta para começar a brincar de oracular, através do oráculo "Acredite na sua própria magia" da Amanda Lovelace... Realmente, não há! Ser essa a minha 1ª companheira de caminhada para um dia como hoje, sábado... Foi simplesmente certeiro!

Eu sei... Eu sei...
Muito jovem mística pink-wicca, eu sei! 

Mas aos 40 anos, carregando o atual peso que eu venho trazendo nas asas, é isso: tudo o que eu preciso agora é um frescor adolescente, leve e livre de culpas, rigor ou exigências.

e assim ela veio...
Pés descalços...

Deixando os contos, as fadas e toda a ilusão das fantasias de lado, caída e largada ali, bem atrás dela, fica uma página de "Era uma vez..."; pois, agora É SUA MINHA VEZ!

De todas as cinzas, de todos esses imensos lutos, de tantas perdas e abandonos; Ela se ergue... (Obs: e olha que, para quem passou quase 10 meses lidando com edema ósseo no joelho e lesão de ligamento cruzado anterior, com direito a nevralgia patelar; se erguer já significa MUITA coisa!).. e Ela ergue também seus braços ao alto, em uma posição desprendida; completamente aberta a receber do alto o que o sagrado mítico puder lhe ofertar de mágico e valioso.

E assim, ela se empodera. 
Ganha pertença e se autoproclama soberana de si e de sua história.

Bem, gostaria de dizer que essa é a descrição ypis litare de mim... Mas, a realidade, não é bem assim. Essa é essa mulher-fenix do oráculo. A quem eu sempre vejo sair - não de suas próprias cinzas; mas do fundo do MAR 💙🌊

Afinal, enquanto cinzas são alegorias dos seus restos mortais, para as religiões de matriz-africana, o mar também pode ser chamado de Kalunga grande (ou seja, grande cemitério); berçário de inúmeros mortos (seja de afogamentos, acidentes até inúmeras cinzas de cremação).

Portanto, o senhor da Terra, Atotô, no fundo do fundo da areia do mar e do assoalho oceânico, forja as minhas cinzas, da Carolina mesmo, cada caquinho pessoal; de carne e de palhas, tudo dali, fecundo do sEu chão.

Ao pisar hoje, tal como ela, descalça nessa areia escura e úmida, a beira-mar; enquanto via o meu filho brincar de protagonizar o mesmíssimo roteiro da minha infância... Eu refleti. A imagem de mim que nele eu me via refletida se foi... Não dá mais para voltar ao passado para me acolher claramente autista aos 10 anos. Sim. Eu sei... Pois, o reflexo de hoje é de um garoto de 10 anos que, ele sim, ainda dá para acolher... Tal como já estamos.

Mas, para eu submergir renascida e ter forças para me erguer de tanta sobrecarga... O que eu fiz hoje foi  erguer meus braços ao alto, em direção ao horizonte... Pedindo desprendimento e NORTE para  conseguir sentir e receber todo o sagrado mítico que meu Pai Oxalá puder me ofertar.

Sim, é apenas sob a luz do seu ardor vigoroso, a reluzir sobre a minha pele e meu corpo, é que eu vou conseguir me empoderar.

Cheguei a conclusão que só ELE, o astro-rei, sob meus pôros e meus sentidos; é quem pode me dar a pertença que eu tanto busco para, enfim, conseguir me autoproclamar senhora e soberana de mim.

Oxalá babá!!

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