No purgatório da desilusão

Impressionante como foi eu me dar conta - por conta da psicoterapia -que estava dormindo bem, a noite toda, por 4 noites; onde eu acordava de manhã ainda com dificuldade, mas com condições de tomar café feito gente, a mesa, com o meu núcleo familiar... E graças a uma rotina SIMPLES de uma jantar leve (sopa), sem celular por uma hora enquanto assisto um desenho com meu filho... Pronto! Parecia que era o caminho das pedras..........

.............. até hoje estar na minha 2a noite em claro. Insônia BRABA de praticamente varar o dia. 

Na insônia de ontem, eu sei, eu estava hiperfocada com a mudança, arrumação dos kits e divisões de miudezas de cozinha com o meu irmão (toppaware, talheres, copo...) + a tentativa de esvaziar as demandas administrativas e burocráticas de computador que eu tenho e que não largam a minha mente; pois com TANTAS tarefas emergenciais e pontuais pipocando na semana (reunião do trabalho em grupo na segunda, entrega de 2 atividades na faculdade, terapia + mudança de casa), nunca sobra tempo para eu conseguir sentar no computador sem ser trocentas interrupções.

Ok... Mas HOJE, ao contrário, era para ser diferente. Eu comi leve, fiz minha rotina da noite, fiquei sem celular enquanto assistia , teve desenho com o Davi; tudo normal!!!  E nem tudo isso, nem o antialérgico com meus dois comprimidos para dormir (rivotril) deram conta de me manter dormindo até o dia raiar.

Ao mesmo tempo em que eu não estou conseguindo me desatrelar das minhas tensões, CONFESSO, eu estou cá em mais uma insônia que até parece um verdadeiro purgatório!!!!

A verdade é que eu estou:


TRISTE




PREOCUPADA




CHATEADA




NERVOSA



ANSIOSA



De tudo um pouco.

Muito TRISTE  pela morte da minha mãe. Por ter que viver em um mundo onde ela não está. Por todos os nossos planos que foram pelo ralo abaixo, por todas as lembranças que a casa dela, as roupas dela, a criação dela, TUDO... A falta, o vazio e a solidão de não a ter conosco está em cada detalhe das coisas dela.

PREOCUPADA, porque estou com várias expectativas para gerenciar, inclusive as minhas. Terminar logo essa mudança para eu conseguir liberar meu marido para trabalhar; arrumar o quanto antes uma rotina para o Davi (e para mim) de bem viver (especificamente para acolher as demandas de funcionamento do nosso jeito autista de ser), garantir a infraestrutura adequada e necessária para que cada animal que vive em meu zoo safari particular tenha seu território apropriado (galos, galinhas, pato, patas, papagaios, canário, calopsita, um jabuti, uma dog vira lata do porte de um Border Colher, outra mini-doguinha meio Pincher, meio fox-paulistinha terrier SUPER APEGADA a minha mãe e, lógico, os dois amores da minha vida, meus gatos 😻)... Se vou conseguir colocar a casa em ordem depois da mudança até o fim da minha licença. Se as perícias que eu vou ter que fazer serão dolorosas. Como isso tudo afetou (ou não) minha relação do serviço.

(Observação: tudo isso enquanto a casa está aqui sendo administrada AO MESMO TEMPO por mim e, lógico, com ajuda magnífica da nossa Neuzinha, em termos de compras, comida, pagamentos e afazeres domésticos... Além uma faculdade que eu não parei, nem um curso que não pedi para sair). 

Isso, sem falar em uma pilha de nervos, CHATEADA MESMO, por toda a tensão dos últimos 45 dias, com o meu irmão, no que se refere a divisão e determinação do destino para cada pertences da minha mãe. Com a escrita de um documento de diretrizes gerais para um inventário conssensual, sendo este intermediado pelo meu pai

E TUDO ISSO porque o meu irmão, que tem uma VIDA no Acre-Rio Branco, (com filhos, esposa, motoclube, centro espírita etc.) resolveu que seu projeto pessoal de - "me estabelecer em São Paulo" (e trazer os meus para ir ficando aos poucos em SP para ver se gostam e, enfim, virem morar com ele) estava diante de uma excelente oportunidade de ser executado.

Lógico, as custas dos bens da nossa mãe, da reserva financeira dela e de tudo o que ele passa a ter direito como herdeiro 🙄🙄 (que sim, não nego, assim como ele; também estou me beneficiando): mas a diferença é uma só: SAÚDE, ainda mais agora que - depois de 5 meses de operada do joelho, eu ainda NÃO CONSIGO SUBIR ESCADAS).  

E o meu NERVOSO nisso tudo é que falhamos como irmãos para fazer isso de um jeito honesto, empático e fraterno. Agora ele simplesmente me IMPÕE uma realidade de ter que conviver com ele, com as manias deles, as implicância dele por ter "direito a 50% de tudo o que era da nossa mãe", sendo que - na prática, na vida real da trajetória dos fatos:
-------  nem a MÃE, 
-------  nem o PAI, 
-------  nem as 2 EX COMPANHEIRAS - mães de seus filhos 
-------  e, desconfio agora, nem a sua atual esposa

SUPORTAM conviver com ele... ENTÃO POR QUE AGORA EU TENHO QUE ATURAR ISSO??? Justo eu que me sacrifiquei a vida toda para ficar perto e cuidar da nossa mãe. 



Justo agora que estou tendo a chance de me estabilizar economicamente e profissionalmente. 

-------  Justo agora que eu tenho duas situações de neurodivergência em casa para dar conta e 

-------  o funcionamento cerebral autista de uma criança de 10 anos que PRECISA da minha atenção de modo 100% integral. 

-------  justo quando eu chego a reta final dos meus 5 para 6 anos de 2a graduação; onde terei que preparar um TCC se eu quiser me formar 

-------  quando enfim o Daniel encontrou sua área de felicidade e satisfação profissional e está no 1° ano da faculdade de Biologia e que eu queria tanto dar a ele a infraestrutura e condições de estudo que seus pais não puderam lhe dar em vida

-------  quando, em nome de Oxalá, eu ganho o sorteio de uma bolsa para fazer um curso extremamente difícil de fazer, complexo mas útil - de 3 anos(!!) - e que é extremamente necessário para a vida de uma liderança de terreiro e preservação das comunidades tradicionais de matriz afrobrasileira, que um dia eu sonho em ser e sei que já serei!!!

-------  e, ainda, por fim, no exato instante de meio de pandemia para o fim; onde eu passei a encabeçar (por mais modesto que seja) um culto ancestral familiar de Umbanda. Sendi hoje responsável por 4 ori (ou coroas mediúnicas)

A somatória disso tudo faz transbordar dentro de um completo e total sentimento de DESAMPARO e ABANDONO; que, apesar de eu saber que não é real (tenho meu pai, meu marido, na Neuza e na minha tia grandes parecidos de caminhada nessa Seara tão delicada e difícil) ele insiste em me atormentar.



Pois, na real, a sensação que eu eu tenho é que meu sonho de comprar esse imóvel e ficar sossegada na casa que, por todo direito de história de vida do mundo, já deveria ser minha por prerrogativa de direito; está cada vez mais distante!!!!

O advogado já avisou que não vamos poder fazer o inventário administrativo em cartório. Além de gastarmos uma fortuna (praticamente o dobro), pelo fato da minha mãe ser parte no processo de inventário do Roberto, cartório nenhum aceitaria fazer. 

Isso significa que, mesmo com diretrizes e documentos assinados pelo meu pai, meu irmão e eu; a viabilidade de eu conseguir comprar esse imóvel o quanto antes fica CADA VEZ MAIS DISTANTE; pois, eu vou ter que esperar todos os recursos e instâncias necessárias o processo do inventário do meu padrasto acabar, para aí ver se o meu irmão e eu  seremos os herdeiros dele no lugar da nossa mãe.

E aí só depois, ver como vai se desenrolar o pagamento do novo proprietário desse imóvel que já foi vendido pelo Roberto em vida, será de fato, partilhado entre o meu irmão e eu.

Para aí, só assim, com mais a minha cota parte no carro da minha mãe (que vou deixar com o meu irmão), mais o seguro de vida que a minha mãe deixou (que, mesmo investido, eu contava ter condições financeiras de pagar una escola privada e especial de inclusão para o Davi a partir de 2024), mais esse valor que POR VENTURA pode entrar pela venda do terreno do meu padrasto, é que eu vou ter condições de EFETIVAMENTE comprar a cota parte do meu irmão na casa e, COM AS BENÇÃOS DE DEUS E TODOS OS SANTOS, poder vê-lo estruturar sua vida em outro endereço.... Liberando, deste modo, este espaço; para eu estruturar melhor a minha.

Só que até lá, parceiro, eu já estou até vendo:
Minha casa vai virar um campo minado entre as relações que envolvem não apenas nós dois, como também meu marido, a Neuzinha e meu irmão. É uma coisa de doido, beira a ser impressionante, como ele não consegue estabelecer um convívio/vínculo leve e saudável com ninguém. Tudo para ele é na base da individualidade, do egocentrismo e da compulsão. Isso quando, "deu e não deu" ele não é estúpido, rígido e autoritário. Até com a filha dele por telefone, ou com a própria esposa, que estão a quilômetros de distância dele.


Não tem jeito!
Vou precisar tomar muita melissa, muito calmante, muito mantra e oração; para não perder a fé, nem a esperança. Mas, não vou mentir: não é fácil! A maior parte do tempo eu sinto dor física no meu corpo e uma exaustão milimétrica que se estende por cada póros da minha pele. Aí eu só quero dormir, procrastinar, jogar joguinhos que são recompensas instantâneas.

No fundo, meu maior inimigo nesse purgatório, é a desilusão!! 
Solidão é lava que cobre tudo
Amargura em minha boca
Sorri seus dentes de chumbo
Solidão palavra cavada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão, viu
Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão
Desilusão, desilusão
Danço eu dança você
Na dança da solidão
Camélia ficou viúva
Joana se apaixonou
Maria tentou a morte
Por causa do seu amor
Meu pai sempre me dizia
Meu filho tome cuidado
Quando eu penso no futuro
Não esqueço o meu passado, ô
Desilusão, desilusão
Danço eu dança você
Na dança da solidão
Desilusão, desilusão
Danço eu, você
Na dança da solidão
Quando vem a madrugada
Meu pensamento vagueia
Corro os dedos na viola
Contemplando a lua cheia
Apesar de tudo existe
Uma fonte de água pura
Quem beber daquela água
Não terá mais amargura, ô
Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão
Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão
Desilusão oh oh oh

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