Se ou Não Ser

Essa vai ser SEMPRE a questão!

Sei que sou neurodivergente.
Sei que essa neurodivergência significa "apenas" uma condição diferente de funcionar e processar o mundo neurologicamente... Contudo, eu não sei ATÉ QUE PONTO há, de fato, a possibilidade de performarmos funcionamentos e processamentos mais saudáveis a nossa própria existência (e com isso, note que eu, se quer, faço questão que sejam eles funcionamentos e/ou procedimentos necessariamente neurotípicos!!!)

Só o que eu queria mesmo é entender, no auge dos meus 44 anos, quanto eu REALMENTE posso apostar / posso acreditar que é possível estabelecer para mim outros modos operantes, menos onerosos, com menos prejuízos aos meus dias e, sobretudo, qual o custo real eu terei que bancar por isso??!!!??!!!

Afinal, quando se tem a minha idade e se coleciona tantos prejuízos de um diagnóstico tardios; quando já se é casada e se tem um filho também neurodivergente (e ainda precisa responder 3 processos judiciais)... não dá para pensar que tenho todo tempo do mundo e as melhores condições do mundo para alcançar qualquer que seja os meus objetivos (por mais salutares e relevantes que eles, de fato, são e que eu tanto necessito...)

Por outro lado, minha atual conjuntura, também preciso tentar compreender - nesse exercício de mensuração - quais, eventualmente, são minhas alternativas para remediar meu jeito de ser e funcionar, sabendo agora o que sei sobre o meu próprio jeito de ser; na hipótese de eu abandonar toda e qualquer ideia de insistir na alteração do meu jeito mais saudável e meus oneroso de funcionar... Será, para esse caso, haveria algum meio para que o meu próprio convívio comigo mesma se tornesse ao menos suportável???? 😓

Porque é fato que já não suporto mais esse fluxo miserável de regresso a minha condição mais nociva de mim, cada "pique" significativo de progresso e avanço por minha autonomia que eu dou... Pois este oarace vir seguido de algum golpe, alguma rasteira perversa, que vem e simplesmente me devolve ao grid de largada. HORRÍVEL!

 É como uma rodinha de Hamster, toda vez!!! VOCÊ GIRA, GIRA, GIRA, mas quando olha... está de volta ao mesmo ponto de onde lutou tanto para sair. É como sentir que não há saída, não há escapatória. Que não há o que você possa fazer, que não haverá NUNCA progresso ou evolução no mundo que se sustentará, a ponto de lhe conferir qualquer tipo de estabilidade, padrão ou rotina.

O que você aprende de repertório, muda.
O que uma hora parece ter efeito, não surti mais resultado. Nada que eu tenha coletado ao longo de minha jornada parece servir, quando o inexorável se reafirma, imponente.

Quando a energia acaba.
Quando o start não começa.
Quando o acumulado sobrecarrega.
Não há técnica, respiração, suporte, NADA que me permita simplesmente passar por esses "bugs de sistemas". Nenhum tipo de comando interno e pessoal - intransferível - que cada neurodivergente descobrisse e desenvolvesse dentro de si e, em situações assim, pudesse acionar sempre que precisasse passar do ponto A ao ponto B; de modo a garantir constância e permanência.

Eu sei que, às vezes, é só uma questão de tempo. O famoso: espera que passa! Mas eis o ponto... muitas vezes, quanto a interrupção é só isso, uma pausa... um semáforo para quem segue um caminhão na tentativa de funcionar em suas disfunções executivas, isso até funciona. Contudo, infelizmente, não é esse o caso!

Aqui eu não me refiro as pausas, nem aos semáforos. Eu me refiro as placas mesmo de 

INTERDIÇÃO✋🏼, efetivas, que causam bloqueio na gente!...que simplesmente faz vociferar uma ordem mental de 

PARE ⚠️... seguida de um sonoro 

🔊RETORNE AO INÍCIO!!!! 

E, quando vamos ver, ao olhar para os lados, nem notamos quando foi que já regressamos ao ponto original:

--- acamada
--- precisando de suporte para tudo 
--- sem conseguir fazer nada, de novo
--- e toda a mesma ladainha da disfunção TOTAL, bane executiva.

Vc já não sabe o que faz qdo acorda.
Já não sabe o que faz qdo todos dormem.
Já não tem ideia como preenche os dias.

Mas a mente.... AHHHHHH essa não te deixa em paz um milésimo de segundo se quer!!!! Com tudo o que devia estar fazendo, com tudo o que queria estar fazendo, com tudo o que podia estar vivendo, com aquilo que, pelo visto, só você não consegue!

Antes, a dor de não conseguir era uma dor só minha. Hoje, ela se estende porque além de mim, quem também não tem conseguido é a esposa do Daniel, meu marido, que o amo taaaanto. É a mãe do Davi, meu filho, que morreria por ele. É a filha da Bete, minha mãe, que deu a vida por mim; de das tripas, o seu coração, para me dar o que tenho hoje. 

E ainda sim, 
eu...
e a esposa do Daniel
e a mãe do Davi
e a filha da Bete
...todas nós estamos falhamos miseravelmente!!?? Conosco e com eles.

Logo, eu me pergunto: será que somos mesmo todo esse amor por eles? Afinal, aparentemente, nem todo o amor do universo parece ser suficiente para fazer meu neurodesenvolvimento formular um meio mais saudável e menos doído, menos danoso, com menos prejuízo em nossas vida, para me fazer (ou nos fazer) funcionar melhor!!!!

Portanto: COMO DÁ PRÁ SER ASSIM???? Isso, pra mim, é como não ser.... 

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