E lá vamos nós
Fui criança na década de 80.
TV de tubo, desenho só em canais abertos.
Tinha um episódio do Pica-Pau em que ele escondia a única vassoura mágica de uma bruxa, espertamente, em uma fábrica de vassouras... Bem no meio de centelhas idênticas, mas com fins apenas para limpeza...
O meme é sobre isso.
https://youtu.be/Kwrfc4HghBA
A bruxa tenta despertamente achar a sua vassoura, montando e testando, uma por uma, qual dentre todas será aquela mágica que atenderá ao seu comando e, assim, alçar vôo.
"E lá vamos nós...", ela dizia.
Como eu, agora, em mais uma noite (a 3a seguida) de solitude, insônia e angústia; tentando encontrar entre centenas de sentimentos dilacerantes, aleatórios e confusos, aquele X da questão. O cerne, o ponto de virada que vai, magicamente, me erguer desse caos de dor e me levar ao alto; quem sabe, assim me ajudar a olhar para tudo o que estou vivendo, através de outro ângulo, talvez um novo viés que alivie tanto amargor.
Hoje, minha psicóloga tentou - generosamente - compartilhar a chave mestra dela: viva! Pois tudo o que a minha mãe mais ia querer era me ver feliz.
BOA. É mesmo um caminho poderoso, potente. Talvez tão bom quanto a que o meu primo me disse, ao pé do ouvido, no exato momento em que o caixão da minha mãe descia em seu sepultamento; de que ele só suportou o resto de todos os dias sem a mãe dele, porque ele sentia (ou sabia) que pelo menos um pouquinho dela se mantinha viva dentro dele... E, nem que fossem por heranças genéticas e cromossomos; rsrsrsrs, de fato, ele tem razão.
Mas essa chave deve mesmo ser única e individual, o intransferível; pois, ainda que fortes e verídicas, ainda me vejo soterrada nesse poço de culpas e frustrações.
Todos os meus pensamentos são especulando se a coisa/ item/ tarefa X, feitos do jeito Y, iria ou não agradar, atender ou não ao gosto da minha mãe. Mas não em busca de aprovação (talvez não consciente), e sim em uma tentativa de dar, em seu pós morte, um pouco mais de alegria a ela que em vida a própria tanto lhe negou.
E, por mais patético que possa parecer, completamente aleatório e ridículo, também vivo me pegando a pensar em comk ela ainda poderia voltar: desenterrar, troca de corpos no hospital, alguma ligação divina anunciando que ela ressuscitou e está viva, ou ainda viva. Sei lá....
Mãezinha,
Nesse momento, 3 meses após sua partida, eu não sei aonde você está. Mas acredito que você está na espiritualidade. Não sei se já retomou algum grau de consciência ou ainda não. Se as profundas questões de saúde debilitaram muito seu corpo perispiritual, ou se já está mais forte e reestabelecida de tudo.
Seja lá aonde quer que esteja
Você sabe: "me leva, amor!
Por onde for, quero ser seu par!!"
A saudade está gigante, imensa.
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