Pertença I - início, preâmbulo e contexto

A 1ª vez que eu escutei essa palavra veio da boca de uma pessoa negra, uma senhora liderança de Umbanda. Alguém com quem eu me identifiquei de antes, até. Das primeiras palavras ditas em podcast. Em postagens. Em sua capacidade de colocar palavras naquilo que eu ruminava dentro de mim há quase 20 anos de prática umbandista; mas eu não sabia falar sobre, organizar eloquentemente os termos, a cronologia, o tempo de cada coisa.

Para mim sempre carreguei um grande quebra-cabeça de reflexões ideológicas, sociais, políticas, oriundas de uma religião onde suas bases estão em gente marginalizada e excluída. Mas que, de repente, não parecia mais constituir o lugar de fala (principalmente em mercado editorial, organizacional, em termos de entidades e associações); onde essas bases não estavam lá, representadas, se quer priorizadas; sei lá, como se elas tivessem sido apagadas ou esquecidas.


Aí eu levantava a mão, tentava resgata-las......
VIXE! Eu virava a escória da humanidade.
Onde já se viu, misturar política com religião?!? 

Até um genocida, fundamentalista evangélico ser empossado Presidente da República. E, da noite para o dia, com ele, sai do esgoto milhares de apoiadores que ameaçam o nosso direito constitucional de existir. Não importa qual religião de matrizes africanas, se negros, se pobres/periféricos, se LGBTQIA+, se neurodivergentes


E aqui vale uma observação importante, inclusive para mim mesma, para eu não me esquecer jamais:

A neurodiversidade é um conceito que procura trazer um novo entendimento sobre condições como autismo, TDAH e dislexia. Segundo esse termo, essas diferenças de neurocognição não devem ser vistas como “déficits”, “distúrbios” e “deficiências”. Elas são, acima de tudo, parte da diversidade humana.

O conceito de neurodiversidade aponta que a mente pode funcionar de diversas maneiras, e que essas diferenças são apenas variações naturais do cérebro humano. Ou seja, condições como ouvir vozes ou autismo são diferenças em um espectro, e não problemas específicos a serem resolvidos. 


Para mais, recomendo a seguinte leitura, da BBC Brasil

Neurodiversidade: o que é e como redes sociais têm ajudado em diagnósticos

 

(RETOMANDO)

Até que, um dia, a voz dessa liderança chegou aos meus ouvidos e eu tinha certeza que - ENFIM - eu havia encontrado alguém com quem eu poderia falar da minha infância, filha de mãe comunista, pai jornalista; militâncias desde a década de 80. Que poderia falar de sindicalismo, movimento feminista e negro no Brasil que já eram discussões cotidianas na minha casa. Eu poderia até falar de ambientalismo de modo honesto, se a UMBANDA, como prática religiosa, tem um vínculo inegável com o meio ambiente e a nossa sociedade "geo"- ancestral como um todo. De como promover um resgate real, para os nossos povos originários, discutir pra valer formas de engajamento mesmo. Sem julgamentos!

Mas a palavra que dá nome a esse post veio quase um mês depois.

Após nos conhecer pessoalmente - vale dizer, em um dia extraordinário: no dia mais simbólico que poderia existir, em uma Manifestação Política e Cultural em meio a avenida Paulista, no dia 20/11; Dia da Consciência Negra; onde nós, povos de axé estávamos garantindo o nosso estado de direito.

Eu o abracei, como quem abraça um Pai.

Alguém com quem você se identifica e, quando crescer, só quer que ele tenha orgulho de ti. Só isso. Não digo nem ser igual, reproduzir nada, ou algum tipo de aprovação. Naquele instante já bastava para mim não fazer merda; afinal, ele estava li me conhecendo na condição de mãe de santo de pele parda que, ainda sim, os contextos sociais do colorismo me estigmatiza como uma mulher branca.

E, de certo modo, socialmente, economicamente, com muita labuta mesmo e privação pessoal, de mãe militante, pai enxadrista preso pela ditadura militar. Duas pessoas que batalharam muito - cada uma a seu jeito, já separadas - por hoje termos o direito a LIBERDADE e a DEMOCRACIA. Eu tenho sim esse lugar de privilégios; isso eu nunca neguei. Ao contrário: sempre busquei lançar o máximo possível os holofotes aos donos de seus lugares de fala. No apoio, mas, sobretudo na identificação filosófica ubuntu

E aqui vale mais um adendo fundamental:

“Ubuntu é uma maneira de estar na vida. É uma palavra que condensa a verdadeira essência do que é ser Humano. A minha humanidade está intrinsecamente ligada à tua e, por isso, eu sou humano porque pertenço, participo e partilho de um sentido de comunidade. Tu e eu somos feitos para a interdependência e para a complementaridade.” (Desmond Tutu)

Esta palavra, que encontra expressão em variadas línguas africanas, condensa uma filosofia de vida humanista, transversal e independente de qualquer país, cultura, religião ou afiliação política. Ubuntu significa “Eu sou porque tu és”, ou seja, eu só posso ser pessoa através das outras pessoas.

Ubuntu está intimamente ligado à relação entre as pessoas e à sua interdependência, respondendo ao “Penso, logo existo” com “Relaciono-me, logo existo”. Ser Ubuntu, ao contrário de uma visão positivista de autossuficiência, é acreditar numa humanidade comum e interdependente. O bem-estar e a felicidade individual estão intimamente ligados ao bem-estar e felicidade do outro.

“(…) a filosofia Ubuntu tem profundas raízes africanas, mas, (…), estende-se além-fronteiras. Não é sul-africana. Não é portuguesa. A essência do Ubuntu é Ser Humano.” (John Volmink)


Para mais, recomendo a seguinte leitura, dos fundamentos dessa filosofia a, a partir do site, Academia de Líderes Ubuntu:


E assim eu cheguei aqui.

Descobrindo e redecobrindo INÚMEROS.. mas inúmeros em letras garrafais porque juro que - como uma Autistas de 40 anos - eu não sei se dou conta de listar todos os INÚMEROS grupos sociais por onde em batalhei, me dediquei, hiperfoquei, fiz tudo o que estava ao meu alcance de masking a cortes emocionais para tentar caber, somar, atuar. Abdiquei conscientemente de partes integrantes e constitutiva, quando necessário foi, do que eu sou.... em prol dos bens maiores, dos propósitos para além do meu umbigo. Eu que lute com as minhas questões psicológicas e emocionais; o que importa é que coerentemente, minha alma inquieta assim parecia encontra morada.

POR ISSO, quero pedir licença para tirar do peito o máximo de memórias que eu me lembro de não-pertença; para compreender melhor o contexto de PERTENÇA que essa história, com essa liderança e com a Umbanda culminam; 

Revisitando a minha história!!!

 
📍 Família 1982 - relação com minha prima patricinha que só te aceita até a 2ª página, porque é obrigada. Depois disso, é humilhação nas formas mais sutis (envolvendo os filhos dela e meu filho não sendo convidado para a mesma celebração) até uma suposta cooperação que eu "posso acionar quando eu precisar", afinal, como kardecista; ela - um ser de luz, deve estar sempre a postos a trazer um ser de trevas como eu ao caminho de evolução espiritual e moral.

 
📍4ª série do ensino fundamental - 1990/1991
Quando eu tento entregar um presente a um coleguinha que eu tinha uma paixonite infantil! Era dia dos namorados, como muitos coleguinhas meus fariam também com seus coleguinhas de interesse, aquele era o dia de presentear amiguinhos, sem a menor pretensão de namorar. Eu mesma devia ter menos de 10 anos!!!!. Até que o presentinho que eu havia dado ao meu crush foi parar na mesa da garota mais popular da sala: Ana Carolina Giovanetti. Jamais na vida eu esquecerei esse nome. Tive um trauma muito real, naquele dia, só de ir pegar a lembrancinha que dei a ela da mesa dela, depois de dar um esporro no garoto na frente da sala de aula de aula toda, para que todos soubessem que aquilo não era dela. Que não tinha sido o tal menino que comprou para ela. Que ele era covarde em desdenhar do meu presente, para oportunamente, dar a garota campeã recordista de presente da sala. E ainda amargar ele me pedindo o presentinho de volta e eu, tonta, jogando na rua; quase entrando na perua escolar. Voltei para casa chorando o percurso todo. Entrei pela porta da cozinha do minúsculo apto onde eu morava com o meu irmão e minha mãe que, numa eventualidade, já estavam ambos em casa. Eles me viram ali chorar, com um pacote de embalagem vazia nas mãos como se eu fosse a protagonista do filme, meu primeiro amor, vendo o Macauley Culkin morto por picadas de abelhas.


📍Me mudar para uma escola - 1993 particular, de gente de muita grana e ser bolsista; por mérito sim (acertei quase 70% da prova que no fim virou um desconto de 68% da mensalidade). Mas lógico que haviam as regras; não poder faltar, não poder me envolver em problemas disciplinar, tirar notas acima ou igual a média (7,0). Mas a fogueira estava lançada. As populares faziam suas tribos. A mim, sobrava quem queria trocar ideia comigo. Em resumo, um garoto que depois se descobriu homossexual. E, no ensino médio, outra bolsista, ferrada de grana, que juntamos pra resistir. De resto, se eu não era motivo de bullying constante, eu era "disputada" para integrar os trabalhos em grupo para a CDF fazer todo o trabalho sozinha e garantir a nota boa. 

A minha colega bolsista, por outro lado, sempre foi popular. Curiosamente, a constante tentativa dela de me mandar ao menos próxima, do grupinho das meninas (isso já no ensino médio) eram de dilacerantes a catastróficas. Coitada, não por ela. Mas por MIM. Pelas circunstâncias em que eu me deixava ser colocada; quase como um pet, um pinscher simpatiquinho, mas inconveniente, que você carrega e acha graça quando convém. Mas quando o assunto era socialização, festinha, paqueras, passeios; ai não. Aí não era permitida a entrada de... Eu. Muitos mais forma os constrangimentos em públicos, que eu "deveria sempre fazer de conta que aquilo não me importava", que tudo bem não me chamarem, não lembrarem dos meus convites ou querem a minha presença. Tudo o que eu - naquela época  - já não tinha estrutura para lidar.


📍 Aí veio a faculdade. 2002 Uhu! Liberdade. Agora encontraria apenas a minha tribo, gente como eu. da comunicação social, militante por natureza. Mas aí eu era "aparecida" demais. Muito queridinha dos professores. A que falava demais. A que não sabe ter o traquejo social para sacar quando certas coisas cabem e quando outras não.... E desculpa, eu sou isso. Descobri recentemente que não tenho e não é (assim como não foi) fácil mesmo me sobrecarregar a exaustão para memorizar um protocolo social (admitindo que ele pudesse ser algo estanque, que não está em constante movimento) AINDA SIM eu sou e serei essa pessoa eu vai FALHAR! Está nas minhas neurodivergências, é como ocorre o funcionamento do meu cérebro; e poxa eu não tenho culpa disso. Ninguém culpa alguém que tem diabetes a parar de aplicar insulina porque ela precisa aprender quando seu corpo for precisar - para situações sociais - processar glicose! E, mais ainda, se isso fosse um incomodo para as pessoas do seu entorno, então ela que lute para produzir a sua própria insulina?! Não, né gente! Pelos bens dos padrões sociais e neurotípicos que odeiam ver seus pactos ameaçados (sejam de branquitude, sejam de macho alfha - pode reparar, ele está lá!); ao menos aquilo que possa ser apagado e invisibilizado, não parece ser algo sentenciado.


📍 Depois foram 7 anos e 3 instituições de ensino para conseguir me formar 2006/2009. Uma transferência por aproximação geográfica (pq eu não aguentava mais ir todos os dias para são Bernardo); mas a outra, por pânico e stress pós-traumático (obs: devidamente diagnosticada). Meu "grupo do TCC" se sentiu largado, sem a minha assistência nas aulas de orientação em sala de aula porque quis que meu Pai Obaluaiê que eu pegasse uma catapora severíssima, que virou herpes zostes e que virou Nevralgia Pós Herpetica (e eu simplesmente não podia ir as aulas). 

A orientadora não via isso como um problema; já que mais 4 garotas teoricamente capacitadas para falar sobre permaneciam no grupo e...por mais que eu fizesse resumo, roteiros, tudo para ajudá-las... Elas saiam com jeito de humilhadas porque não tinham a devida propriedade (que eu tinha) com o tema: livro reportagem sobre a violência contra a mulher no ano que entrou em vigor a Lei Maria da Penha, em 2007. E, mano, na moral, jornalista de último ano, se não sabe fazer um trabalho de reportagem investigativa básica (visitar um CR, uma Casa Abrigo, em passei todos os contatos, na mamata, só chegar lá e pedir para falar com Fulana, ler muito sobre, falar com autoridades e referências... enfim....); eu que não posso levar culpa. Isso foi ficando insustentável, a professora via que até os agendamentos para entrevista e reportagem eram feitas por mim... e  na hora, NINGUÉM DO GRUPO APARECIA...  No fim, meu trabalho ficou restrito a banca delas. Para que eu apresentasse apenas um capítulo dentro do que  seria esse livro reportagem: a cronologia e evolução do movimento de negro e mulher até a chegada da Lei Maria da Penha. (Foi um grande presente conheça e conversar por horas sobre ela, POR SINAL). Mas você conseguiu chegar até o anfiteatro e fazer a sua apresentação? POIS É.... NEM EU!!!!! Após 3 instituições, uma síndrome do Pânico, 2 trancamentos e diversas salas diferentes para concluir as exigências curriculares e uma "semi banca" na coordenação acadêmica do curso (onde eles poderiam garantir a minha integridade física e emocional)... Minha pertença no ambiente acadêmico foi zero X zero. Mas me formei. Com título, aliás, de uma iniciação voluntária no programa de iniciação científica que eu também não fiz, nunca consegui concluir ou entregar.


📍Aí fui para o mercado de trabalho. 2008/2012 O pior que eu podia ter escolhido algo diferente para mim (hoje eu tenho ciência disso), melhor em termos de aprendizado e ganho de experiência (que era o que eu precisava); mas eu me meti no meio corporativo; aonda 99,9% dos recém formados em Comunicação Social vão parar. Cheguei através de uma amiga em uma assessoria de imprensa com contas grandes como TAM, Daslu, Natura, Nutriplus, Air Liquide, Porto Seguro e até a campanha digital da Marina Silva para presidência, em 2010.

Foi um turbilhão. Mas foi cada dia um soco no estômago, pancada e gritaria o tempo todo (na mente e no pescoço). Afinal, você é estagiária, depois você cava, cava, cava, e vira executiva Jr. Depois cava cava cava porque você é a garota esperta que manja de mídias sociais. Ai você vira geração Z. Porque eu sabia fazer trabalho analítico. Depois você cava, cava, cava mais e descobre que ali, nem pesperctiva para um algo a mais havia para você; pois, naquele momento empresa começou a pirar, querendo fazer um IPO... A Carolzinha, como eles me chamavam, não aguentavam mais aquilo.... então, eu pulei fora. E ainda sim, até levar o susto de engravidar do meu filho... Eu ainda insistia nisso: consultorias, free lancer, tudo PJ..... Enquanto isso, Eu tinha desde 2002, a minha querida ARTE DE CURAR (ou umbanda, em kimbundo) para me segurar.

Até que, em 2008, segundo orientações do meu guia chefe, eu recebo a orientação de "resgatar as raízes minha da magia natural". E eu, sozinha, com 26 anos, jovem mística, como interpreto isso?


📍 Encontrei pessoas interessadas em assuntos semelhantes aos meus e que formavam um grupo de estudo de tarot. 2008/2012  Eu participei, até que ativamente e saudavelmente e tudo, e que começou assim, como um grupo despretensioso de tarô e terminou numa verdadeira Macumbaria Helênica. Tudo bem! De verdade, zero problema; pois sou muito grata a essa fase da minha vida. Só que eu achava que aquilo seria para sempre. Que enfim, eu tinha ali o pertencimento que tanto eu não encontrará. Contudo, a resposta que veio na época do divino foi: fizemos um excelente trabalho de autoconhecimento individual; mas como grupo, coletivo, éramos péssimas. Uma lástima.

Foi a pá de cal para cada um buscar seu canto com muitos laços mau resolvido ainda embaralhados. Desde o casal que primeiro batizaram o meu filho na igreja e na umbanda; até a strega referência da minha vida que estava sempre em um pedestal a cima de onde eu poderia alcança-la; mas que, curiosamente, ao lado dela havia uma irmã de deusa, uma alma de pulso livre, a quem eu sempre amei.


📍De 2012 a 2017
Meu filho nasceu, depressão pós parto. Tudo junto e misturado. Terceiro caso clinicamente diagnosticado como depressivo agudo... olha, pensa num hiato na vida de um ser humano. Até que, em 2017; eu já mais reintegrada e funcional, quis a vida que uma irmã de bruxaria e paganismo me pediu para trabalhar para ela. Na verdade, eu como cuidadora de sua mãe. Ela como sacerdotisa do coven que eu pedi para entrar, tínhamos um ótimo vínculo. Mas lá ia eu de novo achando que AGORA ALI, eu ai conseguir encaixar, SER ACEITA... Dois anos. Muita troca, muita amizade, ritos magníficos... Mas sempre mais do mesmo , eu sempre aquele anexo, acessório, apêndice, agregado. Não aguentava me sentir assim. Minha alma não dava mais conta deu mentir ainda mais para mim.

Pela sororidade e pela profundidade de nossas trocas, para mim, ficou claro que, quando houvesse algo que de fato tivesse haver com o meu chamado (a minha verdadeira alma bruxa - que sempre foi das águas, ligada a Hécate ou Stregheria)... ELA, acima de qualquer outra pessoa, que vira toda a minha trajetória de pelo menos 9 anos; ela quando precisasse, saberia onde me encontrar.

Mas aí eu descobri que não bastava ter uma relação genuína com a stregheria, com as águas ou com Hécate. Era necessário ter views, likes e engajamento; você tem que ser diplomada. Ou ligada a um coven wiccano europeu, ou uma associação criada por pessoas também europeias que sistematizaram uma prática de bruxaria das águas e só se é sacerdotisa certificada, se você seguir todos os exercícios e direcionamento do seu mentor; mesmo quando você acaba de passar por um abordo de uma gestação gemelar... Onde eu ficaria 3 dias internada caso eu não conseguisse - quase desfalecida - expelir os dois sacos gestacionais com os feitos mortos. Nem preciso dizer que não passei da primeira fase!! E, lógico, para stregheria de youtube, vale até a nova estrelinha que se diz strega desde 2019;  porque antes o rolê dela era tambor celta. Meu peito se rasgou naquele dia. 

Agora fala pra mim: se tinha alguém no mundo  que sabia quem eu era e qual era a minha história. Com a bruxaria Hecatina - que me viu ser abraçada e acolhida pela Deusa em uma roda de cura; que acompanhou cada passo em prol do meu resgaste ancestral de stregheria - desde a minha iniciação oficial no Largo de Garda pela minha família adotiva aos 11 anos - que testemunhou (e já se curou, mais de uma vez) com toda a minha bruxaria de água (chá, banho, escalda pé)....e mesmo assim eu NUNCA se quer fui cotada para participar do / no trabalho dela só porque agora ela tem a companhia das famosas coleguinhas pop star brasileiras da bruxaria moderna; né?   E por que será??? Vergonha deu não ser diplomada? De não ter como construir um currículo de apresentação? De não ter números nas redes sociais? Por que me chamar, não é mesmo?

Aí meu bode foi visceral!!!!!
Fiquei me perguntando:  é disso que se alimenta a atual bruxaria brasileira?
Convidar pessoas, fazer bate-papo (entendedores entenderão) e, a partir dali, uma patota maçônica, kabbalistica (propositivamente com dois B) e de ocultismo eurocêntrico ocidental te chancela, com um selo de qualidade; se o seu trabalho é legítimo ou não?????


📍 Ai veio outro grupinho. Privilégio de quem apoia o financiamento coletivo 2018. Um lugar para quem busca conhecimento (tive acesso a muitas coisas realmente interessantes, legítimas; mas convenientes. O famoso toma lá da cá que Exu gosta. Daquelas que a direção forçou uma barra para eu me encaixar (afinal, no início, eu não entendia qual finalidade eles tinham em mente para mim). E você, que não começou ontem no rolê (male male, ali eu já tinha uns 16 anos +/- nesse cenário aí). Paguei literalmente para ver: já que masking é minha especialidade, bora lá por uns panos quentes aqui, vistas grossas acolá e a gente vai dando corda para ver até onde isso ia dar.

Fui generosa quando não devia.
Dei pérolas a porcos como só eu sei fazer.
Comecei a ser vista como uma liderança, involuntária, pois ajudava prontamente quem precisava de orientação - preenchendo um espaço vazio deixado pela própria administração - e foi aí que eu passei a perceber que o suposto estreitamento na amizade, era na verdade, a cama de gato que eu caíra feito filhotinho. Guardaram debaixo da manga para, na hora certa, no momento fora do contexto e de modo totalmente distorcido, me acusarem injustamente de querer destituir as liderança e querer coordenar o tal grupo (vejam só o absurdo).


📍2021 outro golpe veio em tão boa hora que minou totalmente qualquer participação minha em um projeto que, há um ano, eu vinha me engajado; porque ele parecia ser a síntese de algo muito real, que eu acredito muito. O manifesto escrito pelas suas donas, eu fui até convidada a revisar e a contribuir. A estrutura ainda está igual como eu a deixei; que entre suas ações produzia a alguns círculos; em especial, um sobre feminismo místico que SÓ SE PROPUNHA SER UM ESPAÇO SEGURO!!! Que de seguro, não tinha nada. Dois anos se passaram, eu fui atacada por ter sido e vivido dentro desse espaço, exatamente o que ele pede aos seus integrantes e para aquilo que ele se propõe a lidar. Eu fui íntegra, honesta. E tudo o que eu disse, das minha dores e feridas, furam usadas contra mim. Sem explicações ou considerações. Apenas um comunicado de expulsão e muita ofensa gratuita. Mesmo eu sendo uma colaboradora assídua financeiramente. Nunca superei quão profunda e dolorosa foi socialização às avessas. Só tirou de mim o direito de saber e ser, de modo que ao menos ainda fosse seguro. Enfim...


📍 2019 também, por quase um ano e meio, lá vou eu tentar mais um engajamento. Simbiose ideológica de militância ativa com a comunidade tal como eu sempre sonhei (mesmo que flertando com um certo patriotismo conservador); enquanto o meu próprio filho fazia parte do movimento: o escotismo. A minha participação e a do Daniel começou apenas como integrantes da comissão de pais. Fomos depois para os cursos preliminares de Escotista. Logo o Daniel estava deslumbrado com o Clam Pioneiro e eu, lógico, com os mais novos, no Ramo Lobinho. Ambos, uniformizados e devidamente chefes de crianças e adolescentes. Foi quase 9 meses de doação de corpo e alma mais massissa, integral. Festa, arrumação de telhado, cozinha, calendário... Tudo o que aparecia, a gente ia (afinal a sede era do lado de casa)

Mas lógico, se você não é escotista porque veio do movimento escoteiro, foi membro juvenil, já está nas patota e manja dos paranauê desde sempre; você não é bem visto. Se você não liga pra isso, porque é educadora e tem protagonismo, liderança, então, fodeu!! Pois põe em xeque as patotas da alegria desde os tempos de patrulha. E se você mora perto da chefia mais estratégica no organograma de sua aspiração; basta umas visitas informais aqui, uma compra de sabonete artesanal ali. Pronto. Fez-se o que o Foucault chamaria de relações de micro poderes. E eu, nem sabendo desses rolês aí. Novamente, e para variar, rifada e vendida pelas costas.

E elas estão cheias!!!
Aos montes, de baciada!!!! 

E eu? Agora que sei seu sou autista-veia!?!
Vixe, não é tão logo de cara que eu saco essas leituras de espaço e lugares, pessoas.
Quando a ficha cai, já é tarde demais.

OK, EU SEI, FIZ UMA LINHA TEMPORAL GIGANTE AÍ DE 300 CARACTERES... 

Agora dá para reler só o começo; pular todos os gatilhos de dinâmicas de grupos sociais que eu me vi tendo que lidar 📍 e pula direto para o final do próximo post.... AQUI

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