ausência
COVID.
2 anos, 3 meses e 22 dias até o vírus dessa pandemia bater na porta da minha casa e adentrar minha família.... Meu marido testou positivo ontem e, desde então, está em isolamento na nossa casa dos fundos; enquanto meu filho e eu, estamos aqui na casa da frente, da minha mãe. 😥😓😢😪
Gozado é que nem passou 48 horas dos 7 a 10 dias em que ele deve ficar em isolamento, e eu já estou péssima!
Curiosamente, há 7 dias atrás, no dia do aniversário dele, eu escrevi: "Ele é meu crush, amor, amigo, marido. Ele é meu irmão de fé, de culto e de ordem. Ele cuida, toca, lê e planta. Ele é o pai do meu filho, o meu parceiro de todas as horas. Ele é minhas pernas quando não posso andar. Meu colo quando preciso chorar. Ele é a Ítaca para onde eu sempre quero voltar. @danluthier você é minha jornada, feliz aniversário!!! Eu te amo DEMAIS 💕"
Mas agora... Ainda que temporário, fiquei sem Ítaca para voltar, colo para chorar, sem pernas justo agora quando não posso ainda andar (bem agora que eu tive que parar a reabilitação terça e voltar a ficar de molho com o imobilizador de perna inteira no joelho, porque a articulação formou um edema de líquido e inflamou!!! 😞😞).
Em outros tempos, isso me desestabilizaria feio. Hoje, sou mãe e alguém que busca sua autoregulagem emocional. Contudo, não consigo evitar o sentir da ausência... O sentir vasto e profundo, não de que falta "um pedaço" como a foto do quebra-cabeça.... Mas sim, daquilo que nos tornamos, desde que decidimos partilhar a vida juntos: o binômio Danirol ou Carol que, depois, se tornou a tríplice-formação Dav-nie-rol (Davi, Daniel e Carol, como um colega, certa vez, disse).
O problema é que, com o jeito que meu cérebro parece ter se estruturado, além da ausência em si, eu ainda estou sentido uma profunda estava por estar lidando com mais duas tensões emocionais: o gatilho - irreal - do abandono e a vastidão incapacitante daquele imenso vazio interior.
É duro pra caramba porque saber, compreender, ter esclarecimento e conhecimento sobre os seus processos psíquicos é viver seus transtornos, sabendo como eles se dão, reconhecendo-os no momento em que eles estão se manifestando e, MESMO ASSIM, não conseguir aliviá-los em nada, nem em nenhum quesito.
É como estar em retalhos!
São muitos os cortes, as dores e as rupturas. É esfregar na sua cara o quão frágeis e vulneráveis somos diante do imponderável. É ter o tempo atando seus braços, sem deixar que tenhamos com o que esperar.
Espera de vida que vamos perdendo, a medida que perco os dias que apenas escorrem pelo ralo. Água que não volta mais de volta pra gargalo.
É definitivamente, ter 40 anos, pesa!
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