E o que é que você vai fazer com isso?
Na terapia, de todas as que eu já fiz, essa é a frase que eu mais escuto: e o que é que você vai fazer com isso?
Ontem, soube que minha mãe (paciente DPOC estágio IV) está com covid e "pp r Enqto não vou para o hospital", como ela mesma diz... Mesmo sabendo que o covid, quando dá para evoluir, é uma doença que progride muito rápido, de uma hora pra outra, de um jeito muito nocivo. Esperar para buscar atendimento especializado só quando sentir piora, é correr um risco muito desnecessário; que pode ser fatal 😔😔😔
É sexta e de sexta, a cuidadora dela volta pra passar o fds na casa dela. Como ainda estamos de quarentena, não podemos ficar todos no mesmo ambiente, pois ninguém sabe se a nossa variante é mais ou menos severa que a dela; portanto, temos que permanecer todos isolados.
Ela acamada. Precisando de cuidados. E se negando ir para o hospital. Eu, por outro lado, aqui... Quase surtando por não poder fazer nada, por ter que lidar com a minha ansiedade, na corda bamba com ela. E, emm crise de ansiedade, minha ATM ataca violentamente, sem que eu possa controlar. Meus batimentos cardíacos se desgovernam e eu fico em completo desespero por dentro. Sem saber o que fazer.
Isso tudo, no seguinte contexto:
- as vésperas do aniversário de 10 anos do Davi (no próximo dia 30/06) e da "suposta" e tão prometida festa de aniversário de 10 anos que ele tanto quer e está há 3 anos esperando por ela;
- em isolamento com meu marido e filho, também acamados com covid-19;
- ainda em reabilitação da artroscopia por lesão no LCA do joelho direito; portanto, sem conseguir pisar e andar direito sem muleta e também sem as sessões de fisioterapia;
- tendo até o dia 27/06 para mediar duas provas online da secretaria municipal de educação para o Davi que, segundo a escola dele, (já que ele está de afastamento pelo covid) não poderá fazer lá, com os professores;
- tendo até o dia 27/06 também para subir 3 trabalhos de recuperação de avaliações virtuais, se eu não quiser perder o semestre na faculdade;
- tendo que cuidar da burocracia de prorrogação de afastamento pelo INSS que só soube ontem que hoje acabaria, juntamente com os protocolos que a minha empresa de trabalho exige que eu cumpra (de teste de covid a agendamento para uma nova avaliação médica do trabalho pessoalmente para liberarem o meu HomeOffice)
- tendo gasto já 600 reais da renda de 800 reais extra que era o aniversário do Davi
- e, ainda, por fim, em meio ao período mais difícil (e acho que dolorido) que já enfrentei na minha vida, que é a avaliação diagnóstica "tardia" para TPB.
Sabe o que é viver tudo isso DE UMA SÓ VEZ enquanto sua mente está - o tempo todo!! - revisitando o que restou de você, só para a achar uma personalidade de si mesma que caiba uma âncora que te ajude a enfrentar tudo isso sem se cortar ou se machucar????
Porra!!!
Tá foda!!!
Tá pesado DEMAIS!!!
Estou dia após dia, de ontem e de hoje, em surto por dentro, tendo umas sensações bizarras de quase sair do corpo, de como se as pessoas que estão ao meu redor estivessem vivendo um longa-metragem da vida e eu estou no backstage, por traz das câmeras, vendo elas SIM viverem... Enquanto eu não! Eu só estou lá; meio que de figurante.
Seria isso o que eles chamam de dissociar??? Poxa, eu não sei.
Não sei.
JURO...
Não sei o que vou fazer para tudo isso parar de desmoronar na minha cabeça!!!! Não sei o que fazer para não ser soterrada por tantos escombros....
... É festa para cancelar com os convites já enviados.
... É burocracia sem o mínino de suporte via 135 quando a gente mais precisa.
... É a incerteza até de que receberei salário, ou algum tostão de "benefício" em julho.
Eu tô perdida
Estou exausta
ESTOU Confusa!!
Me sinto sozinha num tanto profundo que ter meu marido ao meu lado, também doente e em frangalhos emocionais, não está dando conta da minha solidão.
Olhar para amigos tão valiosos e percebê-los tb submersos em suas crises neurodivergentes, sem poder contar com eles nesse momento difícil para desabafar, é muito ingrato.
Ou ainda, lembrar daqueles amigos que eu sei que carregariam a alça do meu caixão, no meu funeral, simplesmente - neste momento - ocupados demais com suas próprias vidas que, por muito menos, quando eu os chamei... Não estavam ali por mim.
Noossssa! É muito duro.
É muito doloroso e pesado.
Como pedir ajuda assim? A quem? Um boiadeiro, certa vez me disse, há mais de 10 anos atrás, que quando as coisas estivessem muito difíceis, era para eu tocar o berrante.
Mas naquela época eu tinha uma rede de apoio. Eu tinha um coletivo de meninas no Multiply. Eu tinha a tenda da Vó Izaura.
Hoje não tenho mais nada.
Nem idade. Nem tempo.
Nem posso me dar ao luxo de me isolar em um quarto escuro, com depressão.
Eu tenho um filho.
Um filho incrível que só me dá alegria e tem passado por esse isolamento do covid sem me dar um pingo de trabalho.
Eu tenho uma casa que, por conta da falta de mobilidade, não posso descer as escadas para cuidar. Não consigo se quer ter fôlego, por conta da asma, pra parar na frente da pia e lavar uma louça... E, assim, quem sabe, desafogar um pouco o peso nas costas do meu marido (que tem cuidado disso tudo sozinho).
Atualmente, estou em estado tamanho e intenso de catatonia mental e emocional, simbólica e dialética... Que tudo o que resta, ressoando no fundo desse cenário que eu pintei é:
"e o que é que você vai fazer com isso?" 🤦🏻♀️🤦🏻♀️🤦🏻♀️🤦🏻♀️🤦🏻♀️🤦🏻♀️🤦🏻♀️
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