(Morte e Vida Carolina)
Há algumas semanas, estou amargando, investigando, processando essa hipótese de ter Borderline... E, desde então, o pouco de sanidade e noites de sono, se foram...
Eu sempre soube que nasci com asma
Logo na infância veio o diagnóstico alérgico: ácaro, poeira, mudanças bruscas de temperatura, muito riso ou forte impacto emocional.
Na adolescência, a cada crise, isso foi ganhando nome distintos e diversos: rinite, sinusite, bronquite... E, na época pré-vestibular até gastrite (nervosa!)
Na transição da adolescência para o início da vida adulta, as questões de saúde mental não deixaram por menos: aos 21, a 1ª crise clinicamente diagnosticada de depressão aguda, acompanhada por transtorno de ansiedade diante da vida acadêmica e desilusões amorosas.
Depois, aos 25/26 anos, outra! A 2ª crise clinicamente diagnosticada de depressão aguda; novamente acompanhada por síndrome do pânico e ansiedade generalizada: foram anos duríssimos de carregar uma estrutura de responsabilidade que não era minha, pela minha mãe e por meu pai. Assumi o que eles deveriam carregar. Por muitos e longos anos. Dificuldade financeira e de inserção no mercado profissional. Perdas/mortes de familiares, violências domésticas... Olha, foram tantos os processos traumáticos dos meus 24 anos até os 28/29 anos que nem dou conta de lista-los.
Aí vieram os rebotes da vida adulto e anos de um suposto TDAH não devidamente laudado/ diagnosticado. Minha vida se resumia a atrasos frequentes, pensamentos acelerados, impulsividade e dificuldade em manter ou seguir meus propósitos com disciplina e organização pessoal ( tudo isso, mais do que os de sempre; afinal, quando descobri que isso se somaria a uma lista de sintomas descobri que a única coisa que separava a minha personalidade DE UMA VIDA TODA para o TDAH era a intensidade e nocividade!).
Mesmo indo e vindo com recaídas na profundidade do meu sofrimento com esse meu jeito de ser e a tristeza das consequências que ele me legava (dificuldade em manter relacionamento, entregas de trabalhos profissionais, acadêmicos, frustrações e rejeições); aos 28/29 eu conheci meu marido, casamos e aos 30, nasceu meu 1° filho!
Aí vivi a 3ª e pior crise depressiva da minha vida. A depressão pós parto. 1 ano e sete meses até conseguir acertar a conduta terapêutica, medicamentosa e com psicoterapia. Mais 2 anos e 5 meses para recuperar vínculo afetivo com meu filho e estabilizar. Mais um ano de manutenção. Após esses primeiros 5/6 anos de vida do meu filho (e daquilo que eu chamaria como o meu renascimento); aos 35/36 anos, passei a ressignificar minha vida
Segui com meus tratamentos de saúde mental, encontrei a Yoga, larguei o Jornalismo e a vida corporativa de Relações Públicas, abracei com força meu amor pela docência. De lá para cá, são 4/5 anos tentando conferir sentido a isso tudo.
Hoje, aos 40, descobri clinicamente diagnosticado e devidamente laudado que tenho uma neurodivergência compatível com AH/SD. E, honestamente falando, sabendo DE TUDO ISSO, somando apenas ao diagnóstico de Transtorno Depressivo Recorrente (até onde eu cheguei com o meu psiquiatra), sempre pareceu mesmo que faltava algo. Uma peça que desse liga e encaixe, a esse imenso mosaico. Que amalgamasse essa minha trajetória de algum modo, onde o resultado final fosse algum tipo de condução assertiva, suficiente para dar explicações (e talvez justificativa) do por que eu ser como eu sou, sentir como eu sinto... Que me fornecesse meio de autoregulagem, para impedir minhas autosabotagem, que me devolvesse o direito de perseguir até o fim meus projetos e minhas próprias vontades. Sem me roubar o prazer de viver.
Aí, o TPB caiu no meu colo... Eu leio, eu escuto, eu tento descontruir estereótipos enquanto passo pela devida investigação atenta dos profissionais especialistas (psicólogas e psiquiatra).... MAS JURO, ATÉ AGORA, se este for mesmo o meu diagnóstico... Sinto que vou me arrepender até o último foi de cabelo meu por isso.
Por mais que eu me esforce, mesmo reconhecendo que a esmagadora maioria das características border parecem descrever a minha vida todinha, eu não consigo me reconhecer aí. Sobram traços de comportamento e estrutura de personalidade QUE EU NÃO TENHO.
Eu ODEIO/DETESTO escândalos, briga, qualquer tipo de agressividade. Até quando minha impulsividade me leva a uma fala ou um jeito levemente um pouco mais estúpido; NA HORA, eu já fico taquicárdica, avaliada emocionalmente. Talvez por isso eu tenha até dificuldade de extravasar certas emoções como raiva e rancor. Eu sou do tipo que corrói por dentro. Que se dilacera por dentro, se necessário for, até aquele sentimento passar. Mas não dei transparecer nem que a vaca tussa.
Não faço o tipo duas caras, mesmo quando vou do 8 (hiperatividade) ao 80 (exaustão múltipla de todo esforço mental e emocional), por conta do hiperfoco. Aí sim, não sou de roupantes. Não compro 19 sapatos nem 300 livros. Não desenvolvi a compulsão alimentar que meu irmão acabou desenvolvendo. Nem para o cigarro, como minha mãe. Talvez, meu único "vício", talvez, seja a tristeza, melancolia e depressão.
Fui uma criança depressiva, hoje lembro bem e tenho claramente as memórias desses momentos
Fui uma adolescente extremamente frágil física e emocionalmente.
Hoje, sou uma adulta que - caso o TPB se confirme - se quer teve a capacidade de ver tais caraterísticas abrandarem com o decorrer da idade (como preconiza a literatura sobre adultos Border). Ao contrário, eu me vejo em cada vez mais e mais gatilhos que INSISTEM me fazer reviver todos esses momentos de dores e sofrimentos e que eu achava já ter deixado bem lá no fundo do meu subconsciente, morto e enterrado.
Mas não!
Eu tinha que "simbolicamente" parar de andar, insanamente pela vida e romper o ligamento do joelho. Perder aquilo que sustentava o peso do meu corpo sobre uma das minhas pernas. E pra quê? Para me colocar em um processo de reabilitação física (e, agora, mental e emocional) que me capacite a voltar a andar.
Tá! Mas andar pra onde?
Se for para eu dar de cara com um espelho Borderline que, ao invés de me trazer uma.....
- condução assertiva,
- suficiente para explicar/ justificar como eu sou, como eu sinto...
- que me fornecesse meio de autoregulagem,
- impedisse minhas autosabotagem,
- devolvesse neu direito de perseguir até o fim meus projetos e minhas próprias vontades.
- Sem me roubar o prazer de viver.
..., ao contrário, só vai me causar UM PROBLEMA AINDA MAIOR!!!!
Como ser alguém que tem uma estrutura de personalidade que simplesmente não é confiável, que hiperdimensiona o mundo real, que me faz sentir e pensar o que não representa a realidade?
Como ser alguém que, confiável ou não, carrega uma estrutura de personalidade que quer, o tempo todo, que eu acredite em tudo o que eu não posso ter, não sou boa o bastante, que não dou conta e não sou suficiente, nem capaz?
Como ser alguém que, além disso tudo, ainda corteja a insanidade, dada a hábitos nocivos de automutilação? Que está, a cada segundo do meu ser, segurando a birra de um ego imaturo e mimado, que quer - o tempo todo/todo o tempo - ser o centro das atenções e o ser aceito.
Não tenho honestamente como projetar nas minhas relações presente todo o afeto, carinho, zelo e atenção que não recebi ao longo da minha vida. Não seria certo e nem justo com as novas oportunidades que a vida me dá. Mas, por mais que eu me esforce, no fim das contas, é exatamente isso que eu acabo fazendo. E, lógico, elas se inflam, as vezes estouram, não suportam tanta pressão.
E quer saber?
Coitadas, nem eu.
É rivotril para dormir
É tramadol para dor
É arcada comprometida por bruxismo e tensão na ATM
São dias de sem viver, só sobreviver.
Onde acordar é o pior de todos os meus martírios. O transcorrer das horas é apenas efeito dos medicamentos que desempenham seus papéis em me por produtiva; para que eu pague - ora mais, ora menos - o dia dentro da lógica esperada pelo capital. E, a medida que o dia acaba e o efeito anoitece, lá vou eu de novo, para o mesmo ciclo:
É rivotril para dormir
É tramadol para dor
É arcada comprometida por bruxismo e tensão na ATM
Não, acho que um diagnóstico Border vai ser a última pá de cal, pelo o que não valerá mais a pena sobreviver.
******
Sou um animal sentimental
Me apego fácil mente a quem desperta meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que eu não quero
E cê vai logo ver o que acontece
Acho que entendo você quis me dizer
Me apego fácil mente a quem desperta meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que eu não quero
E cê vai logo ver o que acontece
Acho que entendo você quis me dizer
Mas existem outras coisas
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade
Tudo está perdido mas existem possibilidades
Tínhamos a ideia, você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de ideia
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade
Tudo está perdido mas existem possibilidades
Tínhamos a ideia, você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de ideia
Já passou, já passou - quem sabe outro dia
Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade
Não estou mais interessado no que sinto
Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade
Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho
Não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar
Você espera respostas que eu não tenho
Não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar
Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi a lua dessa noite, do sereno da madrugada?
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda calma do mundo
Foi a lua dessa noite, do sereno da madrugada?
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda calma do mundo
Comentários