(pausa para um desabafo!)
(escrito na madrugada, sem condição de revisar grafia e gramática)
Tristeza profunda e imensa.
Antiga e contínua. Permanente!
Desde que eu me entendo por gente, eu olho ao redor e vejo coisas que não posso ter/ que não posso viver.
Na escola, ainda muita menina, eu queria comprar balas, salgadinhos, guloseimas na lanchonete do colégio, como as crianças que compravam seus lanches na hora do intervalo. Mas eu não podia, NUNCA pude. O nosso dinheiro era contado e o meu lanche, por ANOS, sempre foi o mesmo: sanduíche de pão pulmão com margarina e presunto 🍞
Durante um tempo, enquanto eu esperava a sétima aula do meu irmão mais velho acabar para ele me levar embora para casa, sabem o que eu fazia? Eu passeava pelo imenso Instituto de Educação onde estudávamos e pegava do chão o que tivesse caído desses quitutes em cantos não aparentemente sujos. Mas lógico, o suficiente para eu - vez ou outra - ter episódios de vermes no estômago.
Na pré-adolescência, queria usar roupas transadas, ou ter milhares de artigos de papeleira e canetas fofas dos sonhos. Capas bacanudas. Tudo caro aos nossos bolsos. Minhas roupas, na maioria das vezes, eu ganhava das minhas primas mais velhas, quando elas descartavam peças que não queriam mais. Ou moletons que minha tia costurava. Nada para jovens. Material escolar? Eu que me virasse com as bic e os tilibras da vida. Então, o que me restava era pedir emprestado o que dava e customizar minhas próprias capas com recortes de revistas.
Em ambas as fases, eu queria ser boa em atividades físicas. Não podia. Nasci deveras prematura e sempre tive limitações de saúde, fôlego e ossos. Passei a educação básica amargando ser a última a ser chamada para os times (isso, claro, exclusivamente quando todos eram obrigados a participar). Não conseguia acompanhar meus colegas em modalidade alguma: vôlei, basquete, queimada; male, male, um futebol feminino - raro para aqueles tempos - pois era a única situação em que eu podia ficar "parada" no gol.
Depois veio a adolescência. Queria ter o corpo mais desenvolvido, não usar aparelho nos dentes e um corte no cabelo legal. Queria ser bonita e popular. Mas tb não podia. Eu era franzina, magrela, sem peito e com um cabelo que nem cortar eu podia (promessa da minha mãe)... E depois, quando finalmente pude, ele armava mais do que a peruca de um palhaço. Passei a adolescência toda brigando com minha aparência física e com meu visual (tá, nada diferente do "normal", quem nunca, né?).
Até o colegial, a obsessão por andar entre a galera popular passou gradativamente para algo menos exigente: bastava que eu pudesse ser aceita só como eu era, com minhas escolhas e interesses -ainda que não tão convencional, por arte, música, livros e discos, k-7 e; claro, com o melhor que eu conseguia me virar no quesito figurino, dadas as opções que a vida me dava.
Quando entrei para a faculdade, eu achava que meu presídio teria fim. Estaria entre outros tipos de pessoas, não seria mais a bolsistas em uma escola de Paty e Playbas. Mas a verdade é que, na faculdade, ninguém parece meio estar nem aí para a ninguém. A não ser, lógico, se tivesse o privilégio de ingressar em uma universidade pública; aí, quem sabe, os ares de um ambiente acadêmico romperia "as bolhas" pequeno burguesa... o que, infelizmente, não aconteceu comigo.
Ao contrário, se ainda tivesse sido possível ao menos permanecer na mesma turma os 4 anos, ainda que em uma faculdade particular, quem sabe talvez eu tivesse uma chance. O que também, não rolou: por motivos de caos familiar, eu tive que pular de IES várias vezes. O que só me fazia mais uma concorrente entre os futuros pares de profissão, desempregados e sedentos - tanto quanto eu - pela inserção/iniciação no mercado de trabalho. Aí, o dia a dia era floresta selvagem, sobrevive o mais forte.
Nessa fase eu só queria garantir algum relacionamento entre a galera da minha sala e eu eficiente/suficiente para eu conseguir realizar os tais trabalhos em grupo. Quase nunca dava certo. Doenças atravessavam o meu caminho, obrigavam-me ou a trancar a faculdade, ou a fazer exercícios domiciliares (o que, dos males, era o que parecia ser o menos ruim, já que sozinha, eu era brilhante e sempre tirei excelentes notas!!) e, ainda sim, eu me tornava motivo da ira dos demais.
Seja como for, o que estou tentando dizer aqui é que, até os meus 20 anos, o que deveria ter sido o parâmetro seguro suficiente para me dar auto estima e confiança, até para enfrentar as lutas mais duras dos 20 anos seguintes, na prática, viraram a peneira mais furada que já senti. Cresci sem ZERO crença em mim ou naquilo em que eu seria capaz de realizar.
No meio disso, vieram as inumes rejeições: amorosas, familiares e profissionais. Algo sempre parecia faltar, dava a impressão de que eu não tinha o que era suficiente. Eu não era tão bonita como minha prima, eu era só a garota legal. Eu não era tão objetiva e racional como meus pais acreditavam que eu deveria ser, ao amadurecer, pois eu era vista como a que chora, a emotiva, sensível demais e que só sabe se fazer de vítima. Para o mercado de trabalho, ou eu não tinha experiência, ou não tinha 2° idioma fluente. Quando a vaga era só para ter uma grana em alguma função simples, eu não servia porque tinha instrução demais. Ouvi isso mais de uma vez.
Fui rejeitada também por ser umbandista em uma editora.
Já fui rejeitada por um namorado que se descobriu homossexual logo comigo, por eu ser mulher; prestes quando íamos ficar noivos.
Já fui rejeitada por um namorado que se descobriu homossexual logo comigo, por eu ser mulher; prestes quando íamos ficar noivos.
E, de um modo geral, como todos sabem bem cuidar de suas próprias vidas, quando a Carolzinha aqui não tinha mais nenhuma utilidade clara, logo eu era descartada ou esquecidas. Posta para escanteio.
Puxa! Recuperação de história?
Vamos pedir para a Carol dar uma força nas férias dela, para os meninos legais, bonitos e populares não reprovarem o ano? Lógico que ela, não só aceitou como também viu aquilo como a chance da vida dela; para ser aceita... Até cair do cavalo, no ano seguinte, quando aqueles que tiveram tardes e tardes em sua casa estudar e comer bolacha, meses atrás, se quer te cumprimentava, no novo ano letivo, na hora da saída.
Vamos pedir para a Carol dar uma força nas férias dela, para os meninos legais, bonitos e populares não reprovarem o ano? Lógico que ela, não só aceitou como também viu aquilo como a chance da vida dela; para ser aceita... Até cair do cavalo, no ano seguinte, quando aqueles que tiveram tardes e tardes em sua casa estudar e comer bolacha, meses atrás, se quer te cumprimentava, no novo ano letivo, na hora da saída.
Quando era para organizar uma peça teatral, bora aceitar a garota franzina!!!
Ela não é bonita, mas é esperta. Vai servir para quebrar os galhos, em todos os ensaios, já que ela não falta em nenhum. Mas, no dia da apresentação, olha que coisa inesperada! Não é que todo o elenco problemático, que nem ia mais participar, apareceu? E, no fim, mesmo ela sabendo o texto, as falas de 3 personagens diferentes da mesma peça, decorados e ensaios, com figurinos prontos (e até emprestado aos autores sumidos) ficou sem ter uma pontinha de árvore muda se quer para poder participar?????
Ela não é bonita, mas é esperta. Vai servir para quebrar os galhos, em todos os ensaios, já que ela não falta em nenhum. Mas, no dia da apresentação, olha que coisa inesperada! Não é que todo o elenco problemático, que nem ia mais participar, apareceu? E, no fim, mesmo ela sabendo o texto, as falas de 3 personagens diferentes da mesma peça, decorados e ensaios, com figurinos prontos (e até emprestado aos autores sumidos) ficou sem ter uma pontinha de árvore muda se quer para poder participar?????
Ou quando, já adulta, eu me meti em um curso de expositor para ser voluntária nas palestras da casa espírita que eu costumava a frequentar? A formação levou 5 finais de semanas inteiros. No 1°, eu fui de cadeira de roda (estiramento do ligamento do tornozelo). Nas duas quinzenas seguintes, de tala, gesso, faixa e muleta, em um lugar péssimo em termos de acessibilidade. Nos dois últimos, já estava com uma bota ortopédica.... E pra quê, senhoras e senhores? Para, na hora da conclusão, com 100% de frequência e 10 de nota na apresentação final; descobrir uma "pendência" na minha inscrição. Um conveniente entrave burocrático que - aos olhos das lideranças da casa espírita que eu frequentava - deveria ter sido um impedimento para que a Regional Leste aceitar a minha inscrição; mas que, no final, nem o coordenador da Formação e nem o diretor da Regional Leste tiveram CARA de concordar, para não me certificar... Tamanha tinha sido a minha dedicação com aquele curso.
No fim, quase 2 meses depois, eu recebi a certificação... Mas não podia colocá-la a serviço daquele lugar que tinha sido a minha referência, onde eu participei de grupos de jovens e trabalhos voluntários desde os meus 13 anos. Eu podia usá-la como palestrante e expositora em qualquer outra casa espírita da Regional, menos na casa onde eu tinha maior gratidão e carinho.
E vocês acham que a coisa toda pára por aí?
Nananinanão!
Mesmo depois de casada, mesmo tentando uma carreira bacana em comunicação organizacional e relações públicas, o fato de eu ter demorado quase 8 anos para me formar tirou de mim qualquer possibilidade de MBA ou especialização que me colocasse em pé de igualdade para concorrer com os meus pares por um espaço institucional ou corporativo. Então, o que fiz? Fui atrás disso, compensar o prejuízo. Passei no processo seletivo para a tão sonhada pós-graduação. Faculdade Cásper Líbero, lugar de renome.... mas que eu também não pude terminar. Aconteceu uma gravidez não planejada, foi uma gestação de risco... 9 meses da cama para o sofá e do sofá para a cama. Não tinha mais como permanecer nas aulas presenciais.
Nananinanão!
Mesmo depois de casada, mesmo tentando uma carreira bacana em comunicação organizacional e relações públicas, o fato de eu ter demorado quase 8 anos para me formar tirou de mim qualquer possibilidade de MBA ou especialização que me colocasse em pé de igualdade para concorrer com os meus pares por um espaço institucional ou corporativo. Então, o que fiz? Fui atrás disso, compensar o prejuízo. Passei no processo seletivo para a tão sonhada pós-graduação. Faculdade Cásper Líbero, lugar de renome.... mas que eu também não pude terminar. Aconteceu uma gravidez não planejada, foi uma gestação de risco... 9 meses da cama para o sofá e do sofá para a cama. Não tinha mais como permanecer nas aulas presenciais.
Depois, quando o meu filho nasceu, eu passei 1 ano e 7 meses com depressão pós parto severa. Não me julgava suficiente nem para espremer um laranja lima e dar num copinho para ele. Surtei! Depois, lógico, o neném que vivera os primeiros anos de vida dele tendo apenas como referência, conforto e segurança o colo do pai (enquanto eu estava chapada demais de medicação psiquiátrica para me segurar nas próprias pernas); com um ano e meio em diante, chorava só de estar perto de mim. Sofri a rejeição do meu próprio filho, uma das dores mais profunda que uma mulher materna como eu poderia sentir.
E de todos, todos os tombos mesmo, eu percorri essa montanha russa de sobe e desce chamada vida, de fundo do poço, lamber feridas, juntar os caquinhos e tentar novamente... E renascia das minhas cinzas! Inúmeras, inúmeras foram as vezes mesmo. Até por que, né? Quem nunca? A vida é isso aí. O ardor da forja em nossos lombos a temperar o fio e o corte do nosso "aço moral". Bola para frente.
Reconquistei o amor e o carinho do meu filho, agora não por uma ligação natural e instintiva. E sim, por esforço, afeto e dedicação constitutiva e exclusiva de quase 2 anos a mais. Enquanto estabilizava mais um dos meus já tentados/testados tratamentos psiquiátricos.
E, dos quase 30 anos para cá, ainda vieram mais algumas e inúmeras tristezas, profunda e imensa.
Perdi mais duas gravidez, depois do meu atual e único filho. Meus gêmeos em 2018 e i Mine Baby do ano passado, ambos com 3 meses de gestação; logo, sem sexo definido. O primeiro, foi um aborto hemorrágico, em pleno domingo dia das mães. Já o outro,, retido, no ano passado; a dor física mais forte que já senti. Enquanto isso, na mesma época, minha prima grávida de sua 3 filha e, um mês depois do último ocorrido, a notícia da gravidez de gêmeos da esposa do meu primo por inseminação artificial. E eu, praticamente sem poder engravidar mais.
Perdi mais duas gravidez, depois do meu atual e único filho. Meus gêmeos em 2018 e i Mine Baby do ano passado, ambos com 3 meses de gestação; logo, sem sexo definido. O primeiro, foi um aborto hemorrágico, em pleno domingo dia das mães. Já o outro,, retido, no ano passado; a dor física mais forte que já senti. Enquanto isso, na mesma época, minha prima grávida de sua 3 filha e, um mês depois do último ocorrido, a notícia da gravidez de gêmeos da esposa do meu primo por inseminação artificial. E eu, praticamente sem poder engravidar mais.
AGORA, depois desse longo relato, vocês podem estar se perguntando: o que foi (na verdade o que tem sido) a gota d'água, para eu vir aqui e fazer esse desabafo, no meio da minha série de posts sobre TPB?
O Facebook
O Instagram
As fotos e os posts de rede social.
Ver pessoas de um nicho de conhecidos, antigos amigos em comum, figurinhas carimbadas, todos ligados a espiritualidade, paganismo, bruxaria, ocultismo (assuntos que sempre foram do meu interesse e que estudo e me dedico há pelo menos 22 anos) fazendo o que sempre fizeram (sendo celebridades no ramo, indo aos eventos tradicionais da turma, encontrando seus caminhos formais para a constituição - ao menos na percepção de suas imagens públicas e de suas formas de ser e de viver dentro desse "mundo").... E sentir que nada que eu tentei (ou do pouco que eu, de fato, tentei e me dediquei coletivamente ou individualmente) vigou... NOOSSA, é sempre muito doído e sofrido para mim.
Dessa galera, eu tive, integrei mais de um grupo de práticas e estudo. Eram ótimos enquanto duravam. Mas quando cada um passava, e as pessoas seguiam as suas vidas, sem demonstrar o mínimo esforço para só se manterem presente na vida de suas irmãs, colegas e amigas; apesar dos novos rumos... Eu confesso, sempre me sentia mais um pouco largada e preterida.
Depois foram dois os projetos iniciáticos que levaram 3 anos da minha vida de inteira e honesta dedicação... E nem eles escaparam - recentemente - em me reservar uma baita golpe sorrateiro, de difamação, pelas costas, por pessoas que eu sempre gostei e admirei!!! E olha, nem assim, minha tristeza e prostração ao tentar entender tamanha injustiça, impediram-me de romper com essas pessoas até ser elas mesmas, formalmente, colocarem-se no papel de me expulsar. Masoquismo? Para alguns podia ser; mas eu garanto: eu nunca gostei de sofrer!! Suportava situações de mãos tratos e relações tóxicas apenas porque minha convicção era com o ideal, a missão, visão, valores de cada uma dessas duas propostas em que eu participava. Preocupava-me com as demais pessoas do grupo; além de eu ter legitimamente o direito de ali estar, afinal, eu pagava mensalidades para isso. E nem isto, foi o suficiente para impedir que eu passasse por duas expulsões formais.
Hoje, ao ver as trajetórias de pessoas por quem tenho respeito e consideração (ou será apenas inveja? 🤔) e que talvez eu tb quisesse ter seguido como exemplo e espelho de jornada, tal como elas fizeram; no entanto, reconhecer que - mesmo 22 anos depois, pouco de fato eu fiz por isso... É algo assim que TAMBÉM ME INUNDA o coração de decepção e fracasso. Decepção pq sei que essa é a colheita que recebi do que "não" plantei, fato!!! Fracasso por não ter encontrado um meio de fazer isso de um jeito que fosse diferente do jeito vaidoso e vazio, que elas escolheram para fazer isso. Em tempo de influencers digitais, tenho pavor e urticária só de pensar em algo que deveria ser partilha e ensino, trabalho e entrega coletiva e sagrada, rebaixando-se a curtidas e views.
Eu sei... Eu sei... Tudo isso parece dúbio e confuso. Para mim também é. Ainda me sinto a mesma garota estúpida de 13 anos que quer ser a popular e ter o afeto e as atenções dos outros, sem que - para isso - eu tenha que ser obrigada a gostar e se comportar como alguém fútil e vazio.
Tudo o que sei é que, desses episódios de redes sociais, mas que também aconteceram em outras variadas situações diferentes da minha vida; o que eu mais ouvia das pessoas próximas a mim e até de psicólogos que me acompanharam era : "prego que se destaca, leva martelada" 🔨 eu - de algum modo - parecia facilmente ser alguém que migrava de integrante a ameaça dos meios. Sei lá, como se uma chave virasse, sem mais e nem menos, trancasse a troca e amizade - ainda que unilateral e interesseira - de um lado, para destrancar a repulsa e a distância deles para comigo.
E lá, novamente, eu ficava/fico. Só!
Largada, com o resto do que foi feito deveras, como já diria aquela bela canção na voz da Elis.
O que foi feito, amigo, de tudo que a gente sonhou
O que foi feito da vida, o que foi feito do amor
Quisera encontrar aquele verso menino
Que escrevi há tantos anos atrás
Falo assim sem saudade, falo assim por saber
Se muito vale o já feito, mais vale o que será
Mas vale o que será
E o que foi feito é preciso conhecer para melhor prosseguir
(...) quando o descanso era luta pelo pão
E aventura sem par
Quando o cansaço era rio
e rio qualquer dava pé
E a cabeça rolava num gira-girar de amor
E até mesmo a fé não era cega nem nada
Era só nuvem no céu e raiz
Hoje essa vida só cabe na palma da minha paixão

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