Avaliação psicológica no transtorno de personalidade Borderline: Estudos brasileiros" - post V


Encerrando os parênteses, bora retomar a série de postagens que eu iniciei, onde eu comecei a dialogar com a Monografia apresentada pela Paula Fernanda Scherer como exigência parcial do Curso de Especialização em Avaliação Psicológica – sob orientação do Prof. Dr. Claudio Simon Hutz; com a ÚNICA finalidade a de compreender como uma avaliação psicóloga poderia falar contra ou a favor de um possível diagnóstico (ou hipótese diagnóstica) em mim, como portadora de TPB.

No último post (que você pode conferir aqui) eu parei na parte onde decidi mergulhar mais efetivamente nas características geralmente mais evidentes no quadro Borderline, segundo o artigo 

Stern (1999) aprofunda o entendimento de cada uma destas características integrantes do TPB. De acordo com o autor, costuma-se dizer que o narcisismo é a base sobre a qual todo o quadro clínico estará construído. O narcisismo refere-se ao fato destes indivíduos terem passado por experiências precoces de abandono, negligência, brutalidade e, até mesmo, crueldade. Entende-se que tais experiências conduziriam a uma profunda lesão do narcisismo, relacionado ao amor-próprio, segurança e autoconfiança. 

FATO, JÁ NARREI AQUI DIVERSAS DESSAS EXPERIÊNCIAS QUE EXEMPLIFICAM NO MEU CASO

A consequência é que esses sujeitos sofreriam uma “má nutrição” afetiva (narcísica) comportando-se como seres “famintos de afeto”.

OUTRO GRANDE FATO, VERDADEIRÍSSIMO... QUE GOSTARIA MUITO DE ME LIVRAR. AOS 40 ANOS, CASADA E COM FILHO, CHEGA A AER RIDÍCULO TANTO P.C.A. (PUTA CARÊNCIA AFETIVA, como diria meu pai)

Além disso, a hipersensibilidade desordenada (ou desmedida) que age de maneira automática como um aparato receptivo É UMA DAS COISAS QUE MAIS ME IBCMODAM ATUALMENTE... Isso é a autosabotagem; bem como a precária autoimagem que alimento sobre minha nada autoestima. O resultado é a necessidade que o indivíduo Border tem de usá-
la em função de um sentimento de insegurança profundamente enraizado.

Parte desse sofrimento a Literatura vai chamar de sangramento psíquico ou hemorragia emocional, que nada mais é do que um verdadeiro colapso das capacidades de reação do indivíduo, em vez de uma reação de resistência a uma experiência traumática, ou uma atitude de autoproteção, o borderline “entrega os pontos”. Fica imóvel, letárgico em vez de agir, desaba em vez de lutar.

ISSO ME FEZ PENSAR TAMBÉM COMO ESSE MECANISMO TAMBÉM PODE SER A CAUSA DAS MINHAS AUTOSABOTAGENS

Para completar o cenário, estes sujeitos vivem o presente de maneira muito intensa, mas não conseguem integrar seu passado e planos futuros. Esta imediaticidade demarca um grande vazio 

Para o indivíduo borderline, a presença é sentida de modo tão intenso que ele a vive com uma 
sensação de infinitude. Deste mesmo modo, a perda é vivida como uma aniquilação.

Certamente, a intensidade com que o borderline necessita vivenciar suas relações está interligada aos seus sentimentos de inferioridade que são invasores e abrangem quase 
toda a sua personalidade; tamanha é a certeza do sujeito de ser uma “pessoa inferior”. Neste viés segue a compreensão do masoquismo, presente nestes indivíduos. O masoquismo aparece como 
uma tendência a punição e até como uma compensação pelas faltas emocionais (Stern, 1999).

Para estes indivíduos um simples fracasso leva a uma depreciação total de sua identidade, 
assim como uma experiência bem-sucedida provoca uma exaltação exagerada de si mesmo. (Stern, 1999)

EXATAMENTE ESTE ACABOU SENDO A BUSCA POR AJUDA PROFISSIONAL. POR NAO SABER LIDAR COM MEUS FRACASSOS, POR COMEÇAR COISAS, PROJETOS E POUCO TEMPO DEPOIS, LA ESTOU EU ME DESVIANDO OU ME DESQUALIFICANDO PARA TAL.

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Portanto, a conclusão desse olhar mais detalhado das características me faz retornar a metodologia do DSM - 5; que lista nove critérios para um diagnóstico TPB, onde pelo menos cinco dos quais devem estar presentes para que seja feito o diagnóstico de transtorno de personalidade borderline. São eles:

1. Esforços desesperados para evitar abandono real ou imaginado. ✔️

2. Um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos caracterizado pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização. ✔️

3. Perturbação da identidade: instabilidade acentuada e persistente da autoimagem 
ou da percepção de si mesmo. ✔️

4. Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente autodestrutivas (p. ex., 
GASTOS, sexo, ABUSO de substância, direção irresponsável, compulsão alimentar) ✔️

PENSEI MUITO SOBRE ISSO
GASTOS SERIA UMA ALTERNATIVA PARA MIM, SE EU TIVESSE GRANA PARA ISSO. MAS QUANTAS VEZES COMPREI LIVROS OU CACARECOS EM LOJAS DE 1 REAL, POR PURO BODE EMOCIONAL??? OU, NAO ME AFUNDEI EM REFRIGERANTE E PORCARIA PARA SUPORTA O PESO DAS EMOÇÕES.

5. Recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento automutilante. ✔️

6. Instabilidade afetiva devida a uma acentuada reatividade de humor (p. ex., disforia episódica, irritabilidade ou ansiedade intensa com duração geralmente de poucas horas e apenas raramente de mais de alguns dias). ✔️

TAMBÉM PENSEI MUITO SOBRE ESE ASPECTO. NAO É QUE EU SEJA ALGUEM IMPREVISÍVEL... NÃO CHGA A TANTO. MAS, DO NADA, TENHO MINHAS EBULIÇÕES, CONFESSO. SAO REPENTINOS E IRRITADIÇOS. MEU MARIDO, QUE ESTÁ MAIS DIRETO COMIGO, HA MOMENTOS, QUE FAZ O PAPEL DE ME SINALIZAR, PEDINDO MENOS... OU PARA EU ABAIXAR A BOLA, NAO EXAGERAR. 

AGORA, QUER VER A REATIVIDADE PEGAR FORTE? RECEBER CRÍTICAS, PRINCIPALMENTE COMO EU CRIO O DAVI OU INJUSTIÇAS... EU ULTRAPASSO A BARREIRA MESMO, POIS AQUILO ME FERE COMO LÂMINA POR DENTRO.

7. Sentimentos crônicos de vazio. ✔️

O TEMPO TODO
TODO O TEMPO
QUE O TEMPO PASSOU
E NÃO ME ESPEROU
QUE OPORTUNIDADES SE FORAM
QUE MOMENTOS PARA ALGUMAS REALIZAÇÕES DE SONHOS, TAMBÉM.

SE EU NÃO PUDER ENTÃO SER AQUELA MÃE-PROFISSIONAL-ESPOSA-FILHA-ESTUDANTE (etc. com todas as personas que carrego!) INCRÍVEL, LIGADA NO MODO HIPERATIVO-MULHER-MARAVILHA, CUIDANDO DE TUDO E DE TODOS... ENTÃO, É UMA SENSAÇÃO DE QUASE LIXO, DESCARTE, QUE NÃO PRESTA PARA MAIS NADA.

ATÉ PARECE QUE EU PRECISO SENTIR - A TODO TEMPO - QUE AS "AS PESSOAS PRECISAM DE MIM" PARA EU TER UMA RAZÃO DE VIVER, UM SENTIDO PARA ESTAR VIVA.

POR OUTRO LADO, QUANDO A SOBRECARGA ME LEVA A UMA CRISE DE BAIXA EXAUSTIVA EMOCIONAL E MENTAL, ATÉ FÍSICA-CORPORAL... TODO VAZIO VOLTA COMO ANTES! 

8. Raiva intensa e inapropriada ou dificuldade em controlá-la (p. ex., mostras FREQUENTES DE IRRITAÇÃO, raiva constante, brigas físicas recorrentes). ❌

DEFINITIVAMENTE, ISSO NÃO.
JA PERCEBI QUE FAÇO O PERFIL IMPLOSIVOS; QUE, DESTINO A RAIVA PARA DENTRO, PARA A MINHA ATM, MINHA GASTRITE NERVOSA E A DEPRECIAÇÃO DA MINHA AUTOIMAGEM.

9. Ideação paranoide transitória associada a estresse ou sintomas dissociativos intensos. ✔️

Ok, não foram muitos os momentos assim, mas agora que começo a entender um pouco mais, reconheço ocasiões bem claras e pontuais.

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