"Avaliação psicológica no transtorno de personalidade Borderline: Estudos brasileiros" - post II
Retomando o POST anterior, onde eu comecei a dialogar com a Monografia apresentada pela Paula Fernanda Scherer como exigência parcial do Curso de Especialização em Avaliação Psicológica – sob orientação do Prof. Dr. Claudio Simon Hutz; com a ÚNICA finalidade a de compreender como uma avaliação psicóloga poderia falar contra ouva favor de um possível diagnóstico (ou hipótese diagnóstica) em mim, como portadora de TPB.
INTRODUÇÃO
"A palavra em inglês “borderline” significa fronteiriço ou linha que compõe a margem, um limite."
"Melhor caracterizando o transtorno, Pereira (1999) descreve os elementos diagnósticos fundamentais desse quadro, tais como: a presença de ansiedade crônica, difusa e flutuante; sintomas neuróticos múltiplos e persistentes, como múltiplas fobias, obsessões, compulsões, sintomas conversivos bizarros, reações dissociativas, hipocondria e tendências paranóides; tendências sexuais perversas polimórficas; componentes paranóides, esquizóides e maníacos de personalidade; tendência à impulsividade e a diversos tipos de drogadição e um caráter impulsivo e caótico. A condição de labilidade emocional, as necessidades exibicionistas
e de dependência e os sentimentos crônicos de vazio são igualmente pontuados."
É a partir daí que o caldo começa a empelotar.
1️⃣. Presença de ansiedade crônica, difusa e flutuante? ✔️
2️⃣. Sintomas neuróticos múltiplos e persistentes como:
-----------> múltiplas fobias? Aracnofobia severa, isso eu tive ✔️
-----------> obsessões, compulsões? ❌
-----------> sintomas conversivos bizarros, reações dissociativas? 🧐🤨 Oi? Não faço ideia do que isso significa!!!
-----------> hipocondria e tendências paranóides; Paranóica eu nunca fui (nem pelo clivo de terceiros); mas difícil dizer que eu seja / ou não seja hipocondríaca, tendo eu nascido de 23 semanas de gestação, em 1982. Nasci com muitos problemas de saúde e respiratórios de um modo geral. Passei a infância, desde que me entendo por gente, sendo medicada ou orientada a uma série de restrições por conta da minha bronquite ou "ossos fracos" por ter pouca massa muscular. De algum modo, SIM, hoje eu percebo que associei doença a afeto e cuidado. Atenção e carinho. Sei quando até hoje em dia, meu corpo - muitas vezes contra a minha própria vontade - responde a certos contextos e solidão ou abandono real, com reações psicossomáticas: asma, gastrite até ATM. O brônquio fecha, o estômago produz muito mais suco gástrico e a minha mandíbula trava, causando umas das dores neurofaciais severa e intensa. E aí? Coisa da minha cabeça? Remédio demais sem demanda prévia que justifique??? Complexo!
-----------> tendências sexuais perversas polimórficas? Defina isso melhor? O fato de uma criança de tenra idade (7 anos) descobrir que sente prazer apertando entre as pernas uma travesseiro e, descobrindo sozinha que, se eu permanecer com esse travesseiro ou almofada, entre as pernas, mas de bruços, onde me permitisse realizar movimentos repetitivos e progressivamente frenéticos com o meu peso contra o travesseiro, levaria a uma sensação gostosa de total relaxamento dos músculos, até para me fazer dormir SERIA uma tendência sexual perversa; ainda que essa criança só ter descoberto e tomado consciência de que isso era um jeito de se masturbar, pelo menos uns 7 anos depois, na pré-adolescência. E não, não pense você que isso a desencorajou!!! Ao contrário, já aos 15/ 16 anos, ela via na prática tanto uma fuga da realidade (porque podia incluir imaginação ao feito, numa época onde ela sofria em profunda solidão), como uma emancipação feminina de empoderamento pessoal. Afinal, em homens/ meninos/ rapazes a prática não seria absolutamente legítima e até incentivada pelo patriarcalismo da nossa sociedade machista?? Então!!! Se eles podem, eu também posso.
-----------> componentes paranóides, esquizóides e maníacos de personalidades? De novo, serei obrigada a perguntar: defina isso melhor? O fato de uma pré-adolescente (dos 11 até sabe Deus que idade eu tinha quando eu parei de fazer isso) usar do seu tempo ocioso (no ônibus a caminho de casa, na escola em horários vagos ou em casa, quando a solidão apertava mais e até em ambientes onde ela era obrigada a esperar sozinha um adulto por longas horas em um local inapropriado para criança, sem um brinquedo ou uma distração) para fantasiar as mais variadas tipos de aventuras românticas ou típicas de novelas da Globo, protagonista sempre linda, rica, bem sucedida / ou pobre mais que vive o conto da gata borralheira, ou ainda qualquer ideação estúpida de "paixonite", seja pelo garoto popular da sala de aula, ou um ator dola TV... Onde, em minha mente, eu podia experimentar a tal realização e afetividade típica da felicidade a dois, TÃO distante de qualquer coisa parecida com a minha vida real.
Nessa época, eu sempre fui franzina, esquisita. Usei aparelho por muitos anos. Não usava roupa da moda e nem tinha desabrochando tanto corpo (como até hoje, na vida adulta) que chamava atenção tanto dos meninos quanto talvez de um dos pré-requisitos para o grupo das meninas populares. Estudei como bolsista em escola de gente com grana. Sofri bullying desde a 3a série do que hoje chamamos de fundamental I, até a minha formatura do Ensino Médio. Pela aparência física, pela condição financeira e por ser CDF demais. Nerd. Sempre figurei entre as melhores notas da sala (a exceção de Ed. Física, pelas minhas restrições de saúde, e Inglês)
-----------> tendência à impulsividade e a diversos tipos de drogadição e um caráter impulsivo e caótico? ✔️
-----------> condição de labilidade emocional, as necessidades exibicionistas e de dependência? Confesso que tive que pesquisar o que significa "labilidade emocional" e SIM maiúsculo ✔️ "tendência para alternar emoções que oscilam entre estados de alegria e de melancolia ou tristeza". Dos 13 até meus quase 17/18 anos, participei de grupo de jovens, em um centro espírita kardecista. Lá, era ótimo, porque em grupo, trabalhávamos aceitação e amizade, por valores mais honesto como fraternidade e afinidade. Eu passei a oscilar entre melancolia (e hoje eu percebo nitidamente um estado de depressão infantil) com alegria de encontrar um lugar onde eu podia ser eu mesma e ser aceita.
Claro que isso não me impediu de sofrer tantas rejeições quantas as que eu vivia na escola (e, em certo aspecto, dentro do meu contexto familiar). Inclusive, na escola, situações de rejeições mais fortes vinda até de professores, como na minha época do teatro. E, no grupo de jovem, porque eu não parecia nunca ser suficientemente boa para ter a atenção e a reciprocidade dos garotinhos pelos quais eu me apaixonava. Eu vivi toda a minha adolescente sobre o estigma DA LEGAL. Que os rapazes gostam de ter perto e conversar... No fim, isso sempre me levava ao papel de cupido. Aproximar que eu amava às minhas rivais. E sabe o que era pior??? Eu sempre fazia isso. SEMPRE me anulei e me prestei a este papel, de Cyrano de Bergerac. Depois, no escuro do meu quarto, eu me afundava por não entender o que "Ela" - as rivais - tinham, que eu não tinha.
Não posso dizer, contudo, que isso me fez desenvolver uma necessidade exibicionista ❌; mas tb seria ingenuidade minha se eu não reconhecesse que eu queria ser vista pelas pessoas que eu considerava importante... Queria ser notada. Afinal, quem não quer se sentir aceito??? Por isso, acho que desenvolvi muito mais uma dependência... Ou, como diria a piada interna com meu pai, a tal PCA (puta carência afetiva).
-----------> sentimentos crônicos de vazio são igualmente pontuados. ✔️
(E assim, continuo no próximo posto)
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