Avaliação psicológica no transtorno de personalidade Borderline: Estudos brasileiros" - post IV


Retomando a série de postagens que eu iniciei aqui 
POST anterior, onde eu comecei a dialogar com a Monografia apresentada pela Paula Fernanda Scherer como exigência parcial do Curso de Especialização em Avaliação Psicológica – sob orientação do Prof. Dr. Claudio Simon Hutz; com a ÚNICA finalidade a de compreender como uma avaliação psicóloga poderia falar contra ou a favor de um possível diagnóstico (ou hipótese diagnóstica) em mim, como portadora de TPB.

Após refletir sobre a introdução do trabalho, a monografia segue descrevendo e mostrando os variados método de avaliação psicológica para TPB. E, partindo deles, a primeira coisa que me chamou atenção foi refletir sobre a ideia de PERSONALIDADE e o que seria um transtorno dessa natureza. 

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (5ª edição, American Psychiatric Association, 2014) um transtorno de personalidade é um persistente padrão de comportamento e de vivência QUE NÃO CONDIZ (complicado esse trecho, né? 😕) com o que é esperado pela cultura na qual o sujeito está inserido (mais complicado ainda!! 😠)

Isso poderia me soar melhor se eu pensasse que é "um persistente padrão de comportamento e de vivência" que o portador do transtorno carrega mas que não condiz com quem ele é. Talvez isso fizesse mais sentido; afinal, o que eu mais escuto é que eu sou - muitas vezes - uma pessoa que sim, vê e percebe de si mesma padrões de conduta e comportamento que - simplesmente - não bate com aquilo que as pessoas que me amam e mais próximas de mim acreditam ser condizente com o que eu deveria ser ou fazer. E com isso, não estou me referindo exatamente ao padrão cultural a que estou inserida... mas de coerência com aquilo que eu também compreendo ser quem sou, ou pelo menos parte importante daquilo que eu acredito que moldo para ser a minha personalidade. Só que, por algum motivo, graças ao tempo, a convivência e a intimidade honesta que essas pessoas do meu ciclo seguro de relacionamento (e, que, portanto, parecem conhecer mais de mim do que eu mesma), sabem mais dos meus comportamentos e das minhas vivências, do que eu mesma. Apontam condutas que fossem esperadas daquilo que eu escolho ser (e não que eles esperam que eu seja).

TALVEZ ISSO sirva mais para falar sobre um transtorno de personalidade do que a mera noção de padrões estabelecidos por uma cultura que, muito frequentemente, está também tão doente em suas estruturas quanto quem nela vive. Claro, eu compreendo que é preciso estabelecer parâmetros sociais para distinguir o que pode ser considerado "normal/adequado/normativo", do que não... (embora eu também ODEIO esse tipo de linha de pensamento que segrega as pessoas e as aprisionam em moldes e rótulos 😠).
Seja como for, há algo mais plausível e, quem sabe, indiscutível para classificar transtornos, sejam ele de que natureza forem (afetivo, de personalidade ou humor): essa distância entre quem somos e o que fazemos não pode ser algo que nos machuque tanto, nem ser motivo para nos colocar em sofrimento ou em perigo E é aqui que entra a DSM – 5, que caracteriza o Transtorno de Personalidade Borderline por um padrão de instabilidade nas relações interpessoais, na autoimagem e nos afetos, com impulsividade acentuada... Que, de fato, eu sei que carrego! 😟
Aí a gente volta as relações +/- semelhantes que já listei aqui, em posts passados. Entre as pessoas que têm transtorno de personalidade, as características geralmente mais evidentes no quadro Borderline, são:
❌ Narcisismo,
✔️ sangramento psíquico,
✔️ hipersensibilidade desordenada,
🤔 rigidez psíquica,
❌ tendência a reações terapêuticas negativas,
✔️ sentimentos de inferioridade,
❌ masoquismo,
✔️ insegurança “somática”,
✔️ mecanismos de projeção e
🤔 dificuldades para testar a realidade..

Acho que não me sobre mais alternativas, senão, mergulhar mais efetivamente nessas características... (continua)

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